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MEDICAMENTOS

Nove medicamentos contra o câncer começam a ser distribuídos pelo SUS

Tratamentos são destinados a tumores de mama, próstata, pulmão, rim, estômago e outros tipos da doença e podem beneficiar mais de 116 mil pacientes, segundo o Ministério da Saúde Por

Nove medicamentos contra o câncer começam a ser distribuídos pelo SUS
Airton Guimes da Silva
  • Publishedoutubro 20, 2026

Tratamentos são destinados a tumores de mama, próstata, pulmão, rim, estômago e outros tipos da doença e podem beneficiar mais de 116 mil pacientes, segundo o Ministério da Saúde

Por Redação g1 – Publicado em 20/10/2026 – 15:52 – Foto: Magnific

O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (20) o início da oferta de nove medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS). Os tratamentos contemplam 13 indicações terapêuticas para diferentes tipos de câncer e têm potencial para beneficiar mais de 116 mil pacientes.

A distribuição começa nesta terça-feira (20) em 20 centros de tratamento localizados em 17 estados, com previsão de expansão para todos os serviços oncológicos do país até dezembro. A pasta não detalhou quais hospitais receberão os medicamentos nesta primeira etapa.

Segundo o governo federal, parte dos remédios já havia sido incorporada ao SUS há mais de uma década, mas ainda não era efetivamente disponibilizada na rede pública.

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Medicamentos são indicados para câncer de mama, próstata, pulmão, rim e outros tumores

Quais são os novos medicamentos

Os tratamentos possuem indicações específicas, que dependem do tipo de tumor, estágio da doença e características clínicas de cada paciente. A lista divulgada pelo Ministério da Saúde inclui:

Trastuzumabe: indicado para determinados casos de câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
Abemaciclibe: utilizado no tratamento de câncer de mama em estágio inicial com receptores hormonais positivos, HER2 negativo e comprometimento de linfonodos. O custo na rede privada pode chegar a R$ 366 mil.
Acetato de lanreotida: indicado para determinados tumores neuroendócrinos.
Pazopanibe: destinado a pacientes com câncer de rim do tipo células claras em estágio metastático.
Rituximabe: indicado para leucemia linfocítica crônica em primeira linha, linfoma folicular e linfoma difuso.
Abiraterona: utilizada em determinados casos de câncer de próstata metastático ou resistente à hormonioterapia.
Gefitinibe: indicado como tratamento inicial para câncer de pulmão de não pequenas células.
TSH recombinante (alfatirotropina): utilizado no tratamento de câncer diferenciado da tireoide com indicação de iodo radioativo.
Sunitinibe: indicado para câncer de rim de células claras metastático e tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados após falha do tratamento com imatinibe.

A inclusão também amplia o uso de medicamentos já oferecidos no SUS para novas indicações, como o trastuzumabe, antes restrito ao câncer de mama e agora destinado a pacientes com câncer de estômago.

O Ministério da Saúde reforça que a inclusão não significa que todos os pacientes com esses tipos de câncer poderão utilizar os remédios. A indicação depende de critérios clínicos específicos e da avaliação da equipe responsável.

Investimento e ampliação da assistência

O investimento anual para aquisição dos nove medicamentos será de R$ 155,4 milhões. Para viabilizar a ampliação, o governo federal assumiu a negociação e compra direta de dez medicamentos, organizou mecanismos de aquisição por preços negociados para outros nove e ampliou os repasses para custeio de quatro produtos.

A oferta faz parte de uma ampliação maior da assistência farmacêutica oncológica. Até dezembro, a previsão é disponibilizar 23 novos tratamentos ou indicações terapêuticas, o que representa um aumento de 35% nas alternativas oferecidas na rede pública. O impacto financeiro estimado para o conjunto das medidas é de R$ 4 bilhões por ano.

Nesta primeira fase, serão contemplados serviços nas cinco regiões do país:

Norte: Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins.
Nordeste: Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe.
Centro-Oeste: Distrito Federal e Goiás.
Sudeste: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Sul: Paraná e Rio Grande do Sul.

Outras medidas anunciadas

Além dos medicamentos, o ministério anunciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para iniciar uma estratégia de rastreamento do câncer colorretal na rede pública. O exame identifica sangue oculto nas fezes e será oferecido a homens e mulheres de 50 a 75 anos sem sintomas. A implementação será gradual a partir de novembro, começando por capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.

O governo também anunciou o financiamento de cirurgias videotorácicas, técnica minimamente invasiva utilizada principalmente em casos de câncer de pulmão, com investimento previsto de R$ 46 milhões por ano.

Outras mudanças envolvem reajustes nos valores pagos pelo SUS por procedimentos oncológicos. No caso da iodoterapia, empregada no tratamento de câncer de tireoide, o financiamento anual passará de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões. Os repasses para procedimentos com medicamentos intravenosos serão quadruplicados, enquanto os valores para medicamentos orais serão duplicados.

Também estão previstas atualizações na remuneração de exames anatomopatológicos, inclusão de exames de biologia molecular e sequenciamento genético e a criação de um grupo de trabalho para elaborar a primeira linha nacional de cuidado para o retinoblastoma, câncer que atinge a retina e ocorre principalmente em crianças.

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