Classificada como anti-inflamatório não esteroide, a medicação de tarja vermelha alivia dores agudas e febre em poucos minutos, mas exige cautela para evitar riscos ao fígado e ao estômago.
Da Redação – Publicado em 07/08/2026 – 16:46
A nimesulida é um dos medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) mais populares no Brasil. A substância atua inibindo a enzima responsável pela liberação de prostaglandinas — moléculas químicas associadas à inflamação e ao inchaço nos tecidos do corpo.
Além de sua propriedade anti-inflamatória, o fármaco possui ação analgésica (alívio da dor) e antipirética (redução da febre). Por essa razão, costuma ser indicado para tratar quadros de dor aguda leve a moderada, como inflamações de garganta, dores de dente, desconfortos nas vias nasais, rigidez e dor nas articulações, além de cólicas menstruais.
Por se tratar de um medicamento de tarja vermelha, a comercialização da nimesulida no país é restrita à apresentação de prescrição médica. A automedicação não é recomendada, cabendo ao profissional de saúde avaliar o quadro do paciente e determinar a dosagem, a frequência e a duração adequada do tratamento.
Formas de uso e tempo de ação
Disponível no mercado em apresentações como comprimidos, cápsulas, gotas, supositórios e gel, a nimesulida geralmente é administrada por via oral até duas vezes ao dia, de preferência após as refeições para proteger a mucosa gástrica.
O início do alívio dos sintomas costuma ser rápido: estima-se que a diminuição da dor comece cerca de 15 minutos após a ingestão do remédio, seguida pela atenuação da febre e do inchaço.
Efeitos colaterais e atenção ao fígado
Entre os efeitos adversos mais conhecidos da nimesulida estão desconfortos gastrointestinais (como náuseas, diarreia e dor abdominal), dor de cabeça, tontura, sonolência, inchaço e reações na pele (como vermelhidão e descamação). Em casos raros de hipersensibilidade, podem ocorrer broncoespasmo, rinite e angioedema.
No início da década de 2000, o fármaco esteve sob forte vigilância de agências regulatórias internacionais após ser associado a casos de toxicidade hepática (lesões no fígado). Reavaliações conduzidas pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) concluíram que as complicações decorriam do uso prolongado do remédio. Desde então, a recomendação é de que a nimesulida seja prescrita apenas para tratamentos curtos e agudos.
Quem não deve tomar nimesulida?
O uso da nimesulida é expressamente contraindicado nas seguintes situações:
- Crianças menores de 12 anos;
- Pessoas com histórico de hipersensibilidade ao princípio ativo ou a outros AINEs;
- Pacientes com doenças hepáticas ativos ou histórico de lesão no fígado;
- Indivíduos com úlcera péptica ou sangramento no trato gastrointestinal;
- Pessoas com distúrbios de coagulação ou insuficiência cardíaca grave.
(Revisão técnica do conteúdo por João Roberto Resende Fernandes – CRM-SP 203006/RQE 91325, especialista em Clínica Médica do Hospital Israelita Albert Einstein).
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