Mito Desfeito: Entenda por que o Ovo Deixou de Ser o Grande Vilão do Coração

Antigo vilão das dietas e das doenças cardiovasculares, o alimento teve sua reputação limpa por pesquisas recentes. Cientistas comprovam que o colesterol da gema tem pouco impacto no sangue e destacam a riqueza nutricional do ingrediente.

Por Maurício Brum/Veja Saúde – Publicado em 16/06/2026 às 10:50 – Foto: Jihane Bishop/Unsplash

Por décadas, o ovo ocupou o banco dos réus na nutrição e na cardiologia. Apontado como um dos principais gatilhos para o aumento do colesterol e o entupimento de artérias, o alimento chegou a ser banido do café da manhã de quem buscava uma vida saudável. No entanto, o avanço da ciência médica promoveu uma verdadeira reviravolta nessa história. Hoje, o ovo não apenas foi absolvido, mas acabou alçado ao status de superalimento — desde que consumido da maneira correta.

A mudança de postura dos especialistas baseia-se na compreensão mais profunda de como o nosso corpo processa as gorduras. Estudos clínicos robustos demonstraram que o colesterol presente nos alimentos (o colesterol dietético) exerce uma influência muito menor nos níveis de colesterol do sangue do que se imaginava nos anos 1980 e 1990.

O Fim do Mito: Colesterol Dietético vs. Colesterol Sanguíneo

A gema do ovo é, de fato, rica em colesterol — uma unidade média carrega cerca de 185 miligramas da substância. Foi essa matemática simples que assustou os médicos no passado. O que a ciência moderna descobriu, porém, é que cerca de 80% do colesterol circulante no nosso corpo é produzido pelo nosso próprio fígado, e não proveniente da comida.

Quando ingerimos mais colesterol através de alimentos como o ovo, o organismo de uma pessoa saudável equilibra a balança, reduzindo de forma natural a sua produção interna.

O Verdadeiro Vilão: Os cardiologistas apontam que os grandes responsáveis por disparar as taxas de LDL (o colesterol ruim) no sangue são as gorduras saturadas em excesso e as gorduras trans — encontradas em ultraprocessados, embutidos e carnes gordas —, e não o colesterol intrínseco do ovo.

Um Poço de Nutrientes Benefíciados

Livre da velha acusação, o ovo passou a ser valorizado pela sua densidade nutricional. Depois do leite materno, ele é considerado a proteína de maior valor biológico disponível na natureza. Entre os principais componentes benéficos da sua estrutura, destacam-se:

O Segredo Está no Modo de Preparo

Embora o ovo seja um aliado da saúde, os nutricionistas fazem um alerta crucial: os benefícios dependem diretamente de como ele vai parar no seu prato. Um ovo frito imerso em óleo de cozinha ou acompanhado de bacon e embutidos traz consigo uma carga de gordura saturada que anula suas propriedades preventivas.

Para desfrutar do alimento sem riscos ao coração, as recomendações ideais de preparo incluem as versões cozidas, pochê ou mexidas, utilizando o mínimo possível de gordura (como um fio de azeite de oliva ou óleo de coco para untar a frigideira). Para a população geral, o consumo diário de um a dois ovos é considerado seguro e altamente saudável pelas principais diretrizes de cardiologia vigentes.

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