Tumor é a segunda neoplasia ginecológica mais comum no Brasil; especialista alerta que sintomas discretos dificultam a identificação em estágios iniciais.
Por Redação – Publicado em 30/04/2026 às 14:50
Considerado o oitavo tipo de tumor mais comum entre as mulheres no mundo, o câncer de ovário acende um alerta para o público feminino, especialmente aquelas acima de 50 anos. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a estimativa para o triênio 2026-2028 é de 7.300 novos casos anuais no Brasil.
A oncologista Marcela Bonalumi, da Oncoclínicas, explica que a agressividade da doença reside em seu caráter assintomático. “Na maioria dos casos, os sinais são discretos, o que pode atrasar a busca por ajuda médica”, comenta.
Entendendo a Doença: Tipos e Origens
Existem cerca de 30 tipos de câncer de ovário, classificados de acordo com as células onde se originam:
| Tipo de Carcinoma | Origem das Células | Frequência |
| Epitelial | Revestimento do ovário (epitélio) | 95% dos casos |
| Germinativo | Células que dão origem aos óvulos | ~2,5% dos casos |
| Estromal | Tecido conjuntivo (produtor de hormônios) | ~2,5% dos casos |
Nota: Existe ainda o carcinoma de pequenas células hipercalcêmico, um tipo extremamente raro e de origem ainda desconhecida.
Sinais de Alerta: Quando procurar um médico?
Por ser uma doença “silenciosa”, é fundamental estar atenta a mudanças persistentes no corpo. Os principais sintomas incluem:
- Abdominais: Inchaço, dor pélvica, indigestão, gases ou empachamento;
- Digestivos: Alteração no ritmo intestinal (prisão de ventre ou diarreia) e perda de apetite;
- Geral: Fadiga constante, perda de peso sem motivo aparente e dor nas costas;
- Urinários/Ginecológicos: Aumento da frequência urinária e sangramento vaginal anormal (especialmente na pós-menopausa).
Fatores de Risco e Prevenção
Embora não haja uma causa única, alguns fatores podem aumentar a predisposição ao tumor:
- Genética: Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 e histórico familiar;
- Estilo de Vida: Obesidade, sedentarismo e tabagismo;
- Reprodutivos: Endometriose, menarca precoce, menopausa tardia ou nunca ter tido filhos.
Curiosidade Médica: Estudos indicam que o uso de pílulas anticoncepcionais pode reduzir o risco de câncer de ovário em até 33%, ao diminuir o número excessivo de ovulações ao longo da vida.
Diagnóstico e Tratamento
Diferente do câncer de colo de útero (Papanicolau) ou de mama (Mamografia), não existe um exame de rastreamento específico para o ovário. O diagnóstico é feito via exames de imagem (ultrassom, tomografia), laboratoriais e, em casos de suspeita forte, avaliação cirúrgica.
As opções de tratamento incluem:
- Cirurgia: Principal método, podendo envolver a retirada de um ou ambos os ovários.
- Quimioterapia: Pode ser aplicada antes da cirurgia (para reduzir o tumor) ou após (para eliminar células remanescentes).
“A abordagem deve ser personalizada, levando em conta o estágio da doença e o desejo da paciente de preservar a fertilidade”, finaliza a Dra. Marcela Bonalumi.
