Junho Laranja: Histórias de superação e avanços na terapia celular transformam o tratamento de leucemias raras

Com previsão do Inca de mais de 12 mil novos casos anuais para o triênio 2026–2028, campanha nacional destaca o impacto do diagnóstico precoce e o sucesso de transplantes de medula altamente complexos.

Por Redação – Publicado em 30/06/2026 08:20

O encerramento do Junho Laranja — campanha nacional de conscientização sobre a leucemia e a anemia — traz um alerta importante combinado com o otimismo da ciência. De acordo com as projeções oficiais do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o triênio de 2026 a 2028, o Brasil deve registrar mais de 12.220 novos casos de leucemia a cada ano. Diante desse cenário desafiador, a evolução dos transplantes de medula óssea e o amadurecimento das técnicas de suporte médico têm desenhado desfechos positivos antes considerados improváveis.

A história do carioca Flávio de Barros Moses, de 50 anos, ilustra perfeitamente o poder da solidariedade aliada à medicina de ponta. Flávio foi diagnosticado inicialmente com Leucemia Mieloide Crônica (LMC), mas seu quadro sofreu uma transformação rara e extremamente agressiva, convertendo-se em uma Leucemia Linfoide Aguda (LLA). A sua única chance de sobrevivência era o transplante alogênico (com doador compatível).

A Corrente da Cura e o Papel do REDOME

A vida de Flávio mudou quando o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) localizou Beatriz, uma doadora brasileira com compatibilidade quase perfeita (9 em cada 10 pontos). O transplante foi realizado no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN). Apesar de enfrentar complicações graves no pós-operatório, como reativação viral e disfunção do enxerto, o suporte intensivo garantiu a sua recuperação total.

“Após a frustração de não encontrar compatibilidade na família e uma longa busca, fiz o transplante. Hoje, tenho uma vida normal, com qualidade de vida, e guardo uma enorme gratidão por todos os profissionais”, comemora Flávio, que hoje cumpre apenas rotina preventiva e já teve a oportunidade de conhecer pessoalmente a mulher que salvou sua vida.

O hematologista dr. Jacques Kaufman, médico transplantador do CHN, reforça a gravidade do caso: “A transformação da doença do Flávio foi um cenário clínico de altíssima gravidade. Foi como se uma patologia lenta sofresse uma mutação e virasse um adversário veloz. Vê-lo saudável é a prova de que a medicina diagnóstica e terapêutica está vencendo as estatísticas mais duras”.

Inovação: Transplante 50% Compatível Salva Idosa de 71 Anos

Para os casos em que não se encontra um doador totalmente compatível nos bancos de dados, a medicina deu passos largos com os transplantes haploidênticos (com apenas 50% de compatibilidade). Essa técnica inovadora salvou a vida de Sandra Abelha Lima, de 71 anos, que lutava há dez anos contra um linfoma do manto, um câncer resistente que ataca as células de defesa.

Após passar por quimioterapia, transplante autólogo (com as próprias células) e terapias-alvo que falharam ao longo dos anos, a equipe do CHN apostou no transplante haploidêntico utilizando as células-tronco do filho de Sandra, Daniel, de 37 anos. O objetivo foi ativar o “efeito enxerto contra tumor”, fazendo com que as novas células do filho passassem a caçar e destruir o câncer da mãe.

A dra. Simone Maradei, responsável técnica pelo transplante de células-tronco do CHN, explica o avanço:

“Hoje, os transplantes haploidênticos apresentam resultados cada vez mais comparáveis aos de doadores 100% compatíveis. Isso permite que a grande maioria dos pacientes tenha um doador potencial dentro da própria família. O sucesso desse tratamento em uma paciente de 71 anos, mesmo após complicações críticas como infecções e a Doença do Enxerto contra o Hospedeiro (DECH), reforça o método como uma das grandes evoluções da terapia celular moderna.”

Daniel teve a oportunidade de dar à mãe o maior presente possível. “Meu filho teve a coragem de me devolver aquilo que eu o havia dado há 37 anos: a vida. Hoje, recuperei minha saúde física, mental e a alegria de viver plenamente”, conclui Sandra, atualmente em remissão completa do câncer.

Resumo dos Dados e Casos (Fácil de Copiar):

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