Cadastro feito por um jovem voluntário na Alemanha garantiu a compatibilidade necessária para salvar Arthur, paciente do Hospital Pequeno Príncipe diagnosticado com anemia de Fanconi.
Por Redação – Publicado em 28/09/2026 – 09:08 – Foto: Arquivo pessoal
Em 2023, aos 9 anos, Arthur Barão Massan recebeu o diagnóstico de anemia de Fanconi, uma doença genética rara caracterizada pela falência progressiva da medula óssea. A indicação médica para o tratamento foi clara: o garoto precisaria passar por um transplante de medula óssea para ter nova oportunidade de saúde. Sem familiares geneticamente compatíveis, a busca teve de ser estendida aos bancos de doadores não aparentados.
A resposta para a família veio da Alemanha. O jovem Florian Weiand havia realizado o cadastro no registro de doadores de seu país sem prever o alcance do gesto. Tempos depois, ao ser notificado sobre a compatibilidade genética com um paciente do outro lado do oceano, autorizou os exames complementares para efetivar a doação. As células coletadas viajaram até o Brasil para o procedimento de Arthur, e meses após o transplante veio a confirmação do sucesso do enxerto.
O funcionamento dos registros globais de doadores
A história de Arthur reforça o papel desempenhado pela rede internacional de bancos de medula, celebrada no mês do Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, comemorado no terceiro sábado de setembro. O procedimento representa a principal perspectiva de cura para cerca de 80 enfermidades, incluindo leucemias, linfomas, anemias graves e síndromes imunológicas raras.
No cenário nacional, o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) contabiliza atualmente 5,9 milhões de voluntários cadastrados, registrando aproximadamente 125 mil novas adesões anuais. O Brasil realiza mais de 300 coletas anuais e mantém cooperação constante com a rede internacional: são mais de 1,8 mil amostras celulares importadas para uso interno e mais de 800 doadas a receptores no exterior.
Do total de pacientes no Brasil que encontram um doador compatível, cerca de 65% o localizam no próprio Redome. A base brasileira integra uma rede global de quase 100 registros com 43 milhões de doadores. Trata-se do terceiro maior banco do mundo, atrás apenas dos mantidos pelos Estados Unidos e pela Alemanha.
A importância da diversidade genética no cadastro
Devido à grande miscigenação da população brasileira, a diversidade dos perfis cadastrados é apontada por especialistas como elemento determinante para ampliar as chances de localização de doadores.
“Quanto maior e mais diverso for o número de doadores cadastrados, maiores são as possibilidades de encontrar alguém compatível. O Brasil é um país muito miscigenado, e é fundamental que essa diversidade também esteja representada no Redome”, avalia Cilmara Cristina Kuwahara, médica responsável pelo Serviço de TMO do Hospital Pequeno Príncipe.
A médica lembra que o voluntário só é convocado quando surge um paciente compatível e que novos exames são feitos antes da coleta. Por essa razão, manter as informações de contato atualizadas no sistema é essencial.
Encontro e reencontro
Dois anos após a realização do procedimento, a família de Arthur pôde conversar com Florian por meio de uma videochamada traduzida. Antes do contato em vídeo, uma carta enviada via Redome já havia promovido a primeira interação.
“Ele salvou não só o meu filho, salvou uma família inteira, porque o filho é a nossa vida”, declarou a mãe de Arthur, Tathiane Barão. Para o garoto, ver o doador representou a realização de um sonho: “Foi como realizar um sonho para mim, porque ele salvou minha vida”.
Estrutura de atendimento pediátrico
O Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), realizou 67 procedimentos ao longo de 2025. Disponibilizando 10 leitos especializados, a unidade atende pacientes via Sistema Único de Saúde (SUS), convênios e modalidade particular.
Como se cadastrar no Redome:
- Idade: Ter entre 18 e 35 anos no ato do cadastro;
- Saúde: Apresentar bom estado geral de saúde, sem infecções ou doenças impeditivas;
- Procedimento: Dirigir-se a um hemocentro com documento oficial com foto, preencher a ficha cadastral e coletar 5 ml de sangue;
- Validade: O registro do voluntário permanece ativo no sistema até os 60 anos de idade.
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