Hospital de Amor realiza primeira telecirurgia robótica de longa distância e marca novo capítulo para o SUS

Procedimento conectou equipes de Porto Velho (RO) e Barretos (SP), a 2.700 quilômetros. Marco reforça o papel da tecnologia, da conectividade e da formação profissional na ampliação do acesso à saúde pública.

Por Redação – Publicado em 06/07/2026 15:45

O Hospital de Amor (HA) atingiu um marco histórico para a medicina pública brasileira ao realizar a primeira telecirurgia robótica de longa distância do Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento de alta complexidade foi feito em um paciente com neoplasia maligna de reto localizado no centro cirúrgico do HA Amazônia, em Porto Velho (RO), enquanto a equipe médica de especialistas comandava os braços robóticos em tempo real diretamente da sede da instituição, em Barretos (SP), a aproximadamente 2.700 quilômetros de distância.

A operação bem-sucedida quebra barreiras geográficas ao provar que a combinação entre robótica médica e conectividade de alta performance consegue descentralizar o acesso a tratamentos de ponta, beneficiando brasileiros que vivem distantes dos grandes centros de saúde.

Latência Zero e Tecnologia 5G Garantem Segurança

Para que o procedimento ocorresse sem atrasos nos comandos elétricos (os chamados delays), foi montada uma infraestrutura digital robusta. O Ministério das Comunicações viabilizou uma rede dedicada de fibra óptica com redundância em sinal 5G. Esse ecossistema garantiu estabilidade e baixa latência — que é o tempo de resposta entre o movimento feito pelo cirurgião em São Paulo e a execução do robô em Rondônia.

“O procedimento não muda; o que garante a qualidade é uma conexão segura, que permite atuar como se estivéssemos operando no local”, explicou o Dr. Luis Romagnolo, cirurgião e diretor de Inovação do HA. Segundo ele, o principal ganho é aproximar profissionais de altíssima expertise de locais onde a distância física seria um obstáculo intransponível. Além do ganho tecnológico, o uso da plataforma robótica oferece benefícios práticos ao paciente, como menor agressão cirúrgica, sangramento reduzido, menor risco de infecções e uma recuperação pós-operatória consideravelmente mais rápida.

Apoio Federal e Expansão para o Futuro

A cirurgia pioneira foi acompanhada de perto pelas pastas da Saúde e das Comunicações. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou a operação como uma “revolução tecnológica no SUS, especialmente para regiões remotas”. Já o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, reforçou que o propósito da infraestrutura é reduzir desigualdades sociais: “Esse projeto começa conectando Porto Velho a Barretos, mas pode chegar a qualquer lugar do Brasil que tenha robô e infraestrutura digital adequada”.

Para o presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata, a inovação cumpre o papel de levar dignidade a quem mais precisa. O Dr. Carlos Alexandre Ramagem, diretor técnico do HA Amazônia, que atua em Rondônia há quase 30 anos, celebrou o impacto no Norte. “Conheço as dificuldades de viver em um estado distante dos grandes centros. Trazer a oportunidade de oferecer cirurgias de ponta é um avanço enorme”, declarou.

Após o sucesso do primeiro teste prático, a expectativa da diretoria do Hospital de Amor é incorporar as cirurgias com suporte remoto na rotina diária da instituição. O objetivo é expandir os procedimentos para as demais unidades hospitalares espalhadas pelo território nacional, criando uma rede permanente de integração, treinamento de médicos e suporte cirúrgico em tempo real.

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