Hemorroidas: por que tanta gente ainda tem medo de operar?

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Sangra, dói, incomoda, limita a rotina, não deixa sentar direito e pode até sujar a roupa íntima. Mesmo assim, muita gente prefere conviver com os sintomas a procurar um médico por medo de ouvir uma única palavra: cirurgia.

Por Redação — Publicado em 14/09/2026 às 14:45

A doença hemorroidária é bastante comum, mas ainda cercada de vergonha, desinformação e, principalmente, medo. Muitos pacientes passam anos usando pomadas por conta própria, evitando falar sobre o assunto ou simplesmente aprendendo a conviver com o desconforto.

Uma revisão científica publicada em 2025, que reuniu dados de mais de 8,9 milhões de pessoas em 45 países, estimou que cerca de 26% da população mundial apresenta doença hemorroidária.

“Existe uma ideia de que, se a pessoa tem hemorroidas, em algum momento obrigatoriamente terá que passar por uma cirurgia. Mas o que muitos não sabem é que existem diferentes graus da doença e várias possibilidades de tratamento”, explica o Dr. Andre Augusto Pinto, cirurgião geral e do aparelho digestivo da Clínica Gastro ABC.

Quando as hemorroidas precisam de tratamento?

As hemorroidas são estruturas normais do corpo e ajudam no controle da evacuação. O problema acontece quando esses vasos e tecidos aumentam, inflamam ou descem em direção à saída do ânus, provocando sintomas.

Entre os sinais mais comuns estão sangramento, coceira, dor, inchaço e a presença de um caroço ou tecido que pode sair pelo ânus, principalmente durante a evacuação.

As hemorroidas podem ser internas, externas ou mistas. As internas são divididas em quatro graus, que vão desde aquelas que permanecem dentro do ânus até as que saem pelo ânus e não conseguem mais voltar sozinhas.

A escolha do tratamento depende da intensidade dos sintomas e das características do quadro. Em casos mais leves, mudanças de hábitos podem ajudar, como aumentar o consumo de fibras e água, evitar fazer força para evacuar e reduzir o tempo no vaso sanitário. Permanecer sentado por longos períodos, algo que pode acontecer quando a pessoa fica mexendo no celular durante a evacuação, também deve ser evitado.

Quando essas medidas não são suficientes, existem procedimentos que podem ser realizados sem uma cirurgia tradicional. Um exemplo é a ligadura elástica, em que um pequeno anel é colocado na hemorroida para interromper o fluxo de sangue e fazer com que ela diminua.

A cirurgia costuma ser considerada principalmente nos casos mais avançados ou quando outros tratamentos não apresentam o resultado esperado.

Quando a cirurgia é indicada?

Quando o procedimento é necessário, existem diferentes técnicas. A escolha leva em conta o grau da doença, os sintomas e as características de cada paciente.

Hemorroidectomia

É uma das técnicas mais conhecidas e consiste na retirada das hemorroidas. Pode ser indicada principalmente para casos mais avançados. É um procedimento eficaz, mas a recuperação pode ser mais desconfortável.

Hemorroidopexia com grampeador

Nesse procedimento, o objetivo é reposicionar o tecido que sofreu prolapso, ou seja, que saiu da posição normal. Em pacientes selecionados, pode proporcionar uma recuperação mais confortável do que a retirada convencional.

Técnicas minimamente invasivas

Também existem procedimentos que procuram reduzir o tamanho das hemorroidas ou controlar o sangramento com menor agressão aos tecidos. A indicação varia conforme o quadro e deve ser feita pelo especialista.

“Hoje temos diferentes opções e conseguimos escolher a técnica de acordo com o problema de cada paciente. Por isso, o mais importante é não decidir pelo tratamento com base no medo ou em relatos de outras pessoas. O que funcionou para um paciente pode não ser a melhor opção para outro”, explica o Dr. Andre.

O medo da cirurgia pode fazer o problema persistir

Adiar a consulta por vergonha ou medo pode fazer com que o paciente permaneça por muito tempo convivendo com sintomas que poderiam ser tratados.

Hemorroida tem tratamento. O primeiro passo é procurar um especialista para entender o que está causando os sintomas e qual é a melhor alternativa.

Afinal, conviver com sangramento, dor e desconforto não precisa fazer parte da rotina.

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