Avanços em técnicas como a fertilização in vitro e o congelamento de óvulos permitem realizar o sonho da maternidade na maturidade, mas especialistas alertam para os riscos de complicações e para as limitações da própria ciência.
Por Simone Machado – Publicado em 16/09/2026 – 11:00
Gestações recentes de figuras públicas na faixa dos 45 aos 55 anos colocaram em destaque a capacidade da medicina reprodutiva de contornar a queda natural da fertilidade. No entanto, médicos alertam que a ciência ampliou os caminhos para a maternidade tardia, mas não interrompeu o envelhecimento biológico nem eliminou os riscos de uma gestação em idade avançada.
Ao contrário do organismo masculino, que produz espermatozoides continuamente, a mulher já nasce com sua reserva ovariana completa. Com o passar do tempo, não apenas a quantidade de óvulos diminui, como a sua qualidade sofre degradação, aumentando a incidência de alterações cromossômicas e os riscos de aborto espontâneo.
As alternativas da ciência
Para superar o declínio da fertilidade, as principais ferramentas da reprodução assistida são:
- Congelamento de óvulos: Idealmente realizado entre os 30 e 35 anos, preserva a idade biológica do gameta para utilização futura via Fertilização In Vitro (FIV).
- Doação de óvulos (Ov doação): Recurso utilizado quando a mulher não possui óvulos viáveis e não fez a preservação prévia. Óvulos de uma doadora jovem são fecundados e implantados no útero da paciente.
- Diagnóstico Genético Pré-Implantacional: Análise dos embriões formados em laboratório para selecionar aqueles sem alterações cromossômicas.
Riscos e limitações
Apesar das opções tecnológicas, carregar uma gestação após os 45 anos impõe desafios adicionais ao organismo. Quadros como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, hipertensão, alteração placentária e parto prematuro tornam-se mais frequentes. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece a idade limite de 50 anos para a submissão às técnicas de reprodução assistida, salvo exceções justificadas com base na saúde da mulher.
Especialistas ressaltam que o congelamento de óvulos representa uma oportunidade, mas não uma garantia definitiva de nascimento, já que o sucesso do procedimento depende de etapas complexas como descongelamento, fertilização e implantação do embrião no útero.
Saiba mais 📲https://revistasaudeemforma.com.br/
