O método utiliza o composto DAQ, capaz de neutralizar cepas do parasita que não respondem aos medicamentos tradicionais. A patente concedida pelos Estados Unidos garante a proteção da tecnologia brasileira até 2041.
Por Agência Brasil/Rafael Cardoso – Publicado em 08 de maio de 2026 às 10:36
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alcançou um marco científico importante com a concessão de uma patente pelo Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO). O registro protege um método de tratamento baseado no composto DAQ, que se mostrou altamente eficaz no combate ao Plasmodium falciparum, o parasita causador das formas mais letais de malária.
O projeto, desenvolvido no Instituto René Rachou (Fiocruz Minas), é fruto da retomada de estudos sobre uma molécula descrita originalmente nos anos 1960. Sob a coordenação da pesquisadora Antoniana Krettli, o grupo utilizou biologia molecular moderna para identificar uma ligação tripla na cadeia química do composto, característica que permite ao fármaco superar os mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita ao longo das décadas.
O funcionamento do DAQ é estratégico: ele interfere na digestão da hemoglobina humana pelo parasita. Ao bloquear a capacidade do microrganismo de neutralizar substâncias tóxicas geradas nesse processo, o medicamento causa a morte do invasor. Além da eficácia contra cepas resistentes, os testes iniciais mostraram resultados positivos contra o Plasmodium vivax, espécie predominante nos casos registrados no território brasileiro.
Custo Estratégico e Parcerias
Um dos grandes diferenciais do novo método é o potencial baixo custo de produção. Segundo os pesquisadores, essa característica é fundamental para garantir que o tratamento chegue a países de baixa e média renda, onde a doença é endêmica e representa um grave problema de saúde pública.
O desenvolvimento da pesquisa contou com uma rede de colaboração nacional e internacional, envolvendo:
- University of California San Francisco (UCSF)
- Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
- Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
- Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Próximos Passos
Apesar da proteção intelectual garantida até setembro de 2041, o DAQ ainda precisa percorrer o caminho regulatório antes de chegar às farmácias e hospitais. As próximas fases incluem testes rigorosos de toxicidade, definição de dosagens seguras e o desenvolvimento da formulação farmacêutica final.
A Fiocruz acredita que sua forte presença na região amazônica e sua expertise em ensaios clínicos serão determinantes para acelerar essas etapas. O objetivo é antecipar-se à evolução natural dos parasitas, garantindo que o sistema de saúde não sofra com a escassez de medicamentos eficazes no futuro.
Leia mais 📲https://revistasaudeemforma.com.br/
