Transmitida pela picada do mosquito Culex após infecção em aves, arbovirose raramente evolui para quadros graves; estado de São Paulo confirmou dois casos da doença.
Por Flávia Albuquerque (Agência Brasil) — Publicado em 26/08/2026 16:16
A confirmação dos primeiros casos humanos no estado de São Paulo e o registro de uma morte em Santa Catarina reacenderam o alerta para a Febre do Nilo Ocidental no Brasil. No entanto, o médico infectologista Álvaro Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da FMUSP, esclarece que não há motivo para pânico na população, pois a grande maioria das infecções é branda e menos de 1% dos doentes evolui para formas graves.
A Febre do Nilo Ocidental é uma arbovirose provocada por um vírus da mesma família da dengue, zika e febre amarela. A infecção é transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex (o pernilongo comum ou muriçoca) que tenham se alimentado do sangue de aves infectadas — que funcionam como os reservatórios do vírus.
Sintomas e manifestações clínicas
Cerca de 80% das pessoas contagiadas não apresentam qualquer sintoma. Nos 20% que desenvolvem manifestações clínicas, a doença costuma se comportar como uma infecção febril passageira.
- Sintomas leves: Febre, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares e nos olhos, falta de apetite, náuseas, manchas na pele e aumento dos gânglios.
- Sintomas graves (raros): Confusão mental, tremores, convulsões, rebaixamento do nível de consciência, meningite e encefalite.
Diagnóstico e tratamento
Por ser uma doença com baixo volume de casos globais se comparada à dengue e zika, não existem vacinas ou medicamentos antivirais específicos desenvolvidos para humanos.
O diagnostico é feito por análise clínica e exames de laboratório. O tratamento é sintomático e baseado no repouso e na hidratação. Em episódios graves com complicações neurológicas, a internação hospitalar imediata em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pode ser necessária para suporte respiratório e venoso.
Panorama dos casos no Brasil
O Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP) confirmou dois casos em São Paulo: uma moradora de Ribeirão Preto de 34 anos (já curada, com histórico de viagem à Amazônia) e uma jovem de 18 anos em São José do Rio Preto, que segue internada.
De acordo com o Ministério da Saúde, o país também contabiliza dois casos em Santa Catarina (com um óbito registrado) e investiga um caso provável no Piauí. O órgão reforça que a vigilância sobre a mortalidade atípica de aves e a proliferação de mosquitos segue intensificada.
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