Pesquisa da Universidade da Austrália do Sul mostra que intervenções de até 12 semanas superam psicoterapia e medicamentos na redução de sintomas de depressão e ansiedade.
Por Redação — Publicado em 27/08/2026 16:00 – Foto: Freepik
Um estudo abrangente conduzido por pesquisadores da Universidade da Austrália do Sul (UniSA) revelou que a atividade física pode ser até 1,5 vez mais eficaz do que a psicoterapia ou o uso de medicamentos no combate à depressão. A revisão, publicada no British Journal of Sports Medicine, destaca que intervenções de exercícios mantidas por até 12 semanas promovem reduções significativas nos sintomas de saúde mental, aliviando o estresse e a ansiedade de forma rápida.
“Nossa revisão mostra que as intervenções de atividade física podem reduzir significativamente os sintomas de depressão e ansiedade em todas as populações clínicas, com alguns grupos mostrando sinais ainda maiores de melhora”, afirmou Ben Singh, pesquisador líder da UniSA.
Abrangência inédita e populações beneficiadas
Considerado o trabalho mais amplo já realizado sobre o tema, o estudo analisou dados de 97 revisões, somando 1.039 ensaios e 128.119 participantes. Foi a primeira pesquisa a avaliar os impactos de diversas modalidades de exercícios em adultos com diferentes perfis de saúde.
Os resultados apontaram benefícios acentuados principalmente em:
- Pessoas com diagnóstico de depressão;
- Mulheres grávidas e no período pós-parto;
- Indivíduos saudáveis;
- Pacientes diagnosticados com HIV ou doença renal.
Todos os exercícios ajudam, mas intensidade potencializa o ganho
De acordo com os cientistas, todas as formas de movimento se mostraram benéficas — incluindo exercícios aeróbicos (como caminhada e corrida), treinamento de resistência (musculação), pilates e ioga. Contudo, para quadros de depressão e ansiedade, as práticas de maior intensidade e duração ligeiramente mais longa apresentaram os melhores resultados.
“É importante ressaltar que a pesquisa mostra que não é preciso muito para o exercício fazer uma mudança positiva em sua saúde mental. Esperamos que esta revisão ressalte a necessidade de atividade física como uma abordagem essencial para controlar a depressão e a ansiedade”, destacou Carol Maher, pesquisadora sênior e professora da UniSA.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada oito pessoas no mundo vive com algum transtorno mental, gerando um custo global projetado de US$ 6 trilhões até 2030. A inclusão da prática de exercícios no cotidiano surge, portanto, como uma estratégia acessível e de alto impacto para a saúde pública mundial.
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