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Exclusivo: Bióloga Tatiana Sampaio revela panorama atual da pesquisa com a polilaminina e critica burocracia

Em entrevista exclusiva, a bióloga brasileira Tatiana Sampaio atualizou o status das pesquisas com a polilaminina, molécula criada para tratar lesões na medula espinhal através da regeneração de neurônios. A

Exclusivo: Bióloga Tatiana Sampaio revela panorama atual da pesquisa com a polilaminina e critica burocracia
Airton Guimes da Silva
  • Publishedmaio 29, 2026

Cientista responsável pela descoberta da molécula com alto potencial de regeneração para lesões na medula espinhal reage a questionamentos do setor médico, detalha o andamento dos testes laboratoriais e aponta os gargalos do sistema de fomento à ciência no Brasil.

Por Daniella Grinbergas/Veja Saúde – Publicado em 29 de maio de 2026 às 16:17

A busca por uma solução terapêutica capaz de reverter os efeitos de lesões graves na medula espinhal ganhou um novo e franco capítulo. Em entrevista exclusiva, a bióloga e pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio revelou o real panorama em que se encontram os estudos com a polilaminina, uma molécula inovadora desenvolvida por sua equipe que demonstrou, em modelos laboratoriais, a capacidade de estimular a regeneração de tecidos nervosos que antes eram considerados permanentemente perdidos.

A cientista aproveitou a oportunidade para responder de forma direta aos questionamentos recorrentes da comunidade médica e disparou duras críticas aos entraves estruturais e burocráticos que atrasam o desenvolvimento biotecnológico no Brasil, impedindo que descobertas revolucionárias cheguem mais rápido aos leitos dos hospitais.

O que é a polilaminina e como ela atua?

Para compreender a magnitude da pesquisa, é preciso entender o comportamento do sistema nervoso central após um trauma severo. Quando a medula espinhal sofre uma ruptura, o organismo cria uma cicatriz que impede a comunicação elétrica entre os neurônios, resultando na perda de movimentos (paraplegia ou tetraplegia).

A polilaminina entra em cena como uma engenharia tecidual avançada. Derivada da laminina — uma proteína natural do corpo —, a molécula modificada em laboratório funciona como um andaime microscópico biocompatível:

  • Bioafinidade: Ela se molda perfeitamente ao local da lesão sem gerar rejeição pelo sistema imunológico do paciente;
  • Guia de Crescimento: O polímero cria caminhos físicos e químicos que orientam e estimulam os axônios (prolongamentos dos neurônios) a atravessarem a barreira da lesão;
  • Reconexão: O objetivo final é restabelecer as sinapses e a transmissão dos impulsos nervosos vindos do cérebro.

Os gargalos do ecossistema científico nacional

Apesar dos resultados iniciais altamente promissores em modelos animais — onde camundongos com lesões medulares parciais recuperaram movimentos significativos —, o avanço em direção aos testes clínicos em seres humanos enfrenta barreiras complexas. Tatiana Sampaio fez um desabafo contundente sobre o ecossistema de inovação do país.

As críticas da pesquisadora: A bióloga ressaltou que o sistema de fomento à pesquisa sofre com a falta de previsibilidade orçamentária e com uma malha regulatória excessivamente engessada. “Muitas vezes, passamos mais tempo preenchendo relatórios burocráticos e tentando liberar verbas retidas em alfândegas do que propriamente operando os microscópios”, criticou. Ela aponta que o hiato entre a bancada do laboratório e a produção industrial farmacêutica nacional empurra os cientistas locais a buscarem parcerias e patentes no exterior para não verem suas descobertas morrerem na praia.

Tatiana Sampaio em palestra sobre a jornada da polilaminina no encontro da Vesper, em Florianópolis (Foto: Vesper/Reprodução)

Próximos Passos: O horizonte dos testes

Atualmente, a pesquisa concentra-se na fase de refinamento e padronização dos métodos de produção em larga escala da polilaminina sob critérios rígidos de boas práticas internacionais. A expectativa da equipe é obter as autorizações necessárias dos órgãos reguladores, como a Anvisa, para dar início aos primeiros ensaios de segurança em humanos nos próximos anos.

A pesquisadora reforça que, embora a ciência exija cautela para garantir a total segurança dos voluntários, o avanço da polilaminina representa um patrimônio da ciência brasileira e uma esperança concreta para milhões de pessoas que convivem com as limitações de uma lesão medular.

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