Estudo global revela que uma em cada cinco pessoas sente solidão diariamente

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Levantamento baseado em dados da Gallup World Poll em quase 150 países indica que o sentimento é influenciado por renda, confiança comunitária e redes de apoio.

Por Redação — Publicado em 27/08/2026 16:18 – Foto: Magnific

Sentir-se sozinho é uma experiência humana comum, mas seus impactos vão muito além da tristeza momentânea. A solidão está associada ao pior bem-estar, a problemas de saúde física e mental e até ao aumento do risco de morte precoce. Para compreender a real dimensão desse fenômeno, pesquisadores analisaram respostas do Gallup World Poll envolvendo mais de 218 mil pessoas em quase 150 países.

Os resultados revelaram que cerca de uma em cada cinco pessoas sente solidão em um dia típico. No entanto, o estudo apontou uma grande disparidade econômica: enquanto nos países de alta renda a taxa é de 15,7% (atingindo 16,2% na Nova Zelândia e 17,8% na Austrália), nos países de baixa renda esse número salta para 31,3% — afetando quase uma em cada três pessoas.

Fatores sociais e o papel do capital social

A análise desafia a visão de que a solidão é estritamente um dilema individual e psicológico, mostrando que ela é fortemente moldada por condições econômicas e institucionais. Em todas as regiões, o fator de maior proteção foi o “capital social” — a presença de redes de apoio e pessoas com quem se pode contar.

Problemas de saúde, desemprego e a ausência de um parceiro também influenciam o isolamento. Além disso, a alta escolaridade mostrou-se um fator de proteção consistente em nações de renda média e alta, embora tenha exercido um papel menor nos países mais pobres, onde a vulnerabilidade social ampla tem mais peso.

“A solidão frequentemente resulta da combinação entre as circunstâncias individuais de uma pessoa e o ambiente social e econômico em que ela vive”, apontam os autores do estudo, Dennis Wesselbaum (Universidade de Otago) e David Leblang (Universidade da Virgínia).

Tendências globais e caminhos para o combate

Apesar da ideia popular de uma “epidemia de solidão” em expansão contínua, os dados coletados entre 2023 e 2024 em 113 países não mostraram um crescimento generalizado. Em cerca de dois terços dos países analisados, os índices de solidão caíram em 2024. Contudo, enquanto as taxas caíram em nações ricas e se estabilizaram nas de renda média, elas subiram significativamente nos países de baixa renda.

Independentemente da região, pessoas solitárias relataram menores níveis de satisfação com o presente e o futuro, além de maior incidência de estresse, preocupação, raiva e dores físicas.

Para combater o problema, os pesquisadores indicam estratégias distintas: nos países de baixa renda, o foco deve ser a redução da pobreza e o fortalecimento da proteção social; já nos países de alta renda, a prioridade passa pelo investimento em organizações comunitárias, espaços públicos de convivência e suporte em saúde mental.

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