Dormir com luz acesa aumenta o risco de desenvolver doenças cardíacas, aponta estudo

Análise com quase 89 mil voluntários revela que a exposição à claridade artificial noturna desregula o ritmo circadiano e prejudica diretamente o sistema cardiovascular.

Por Redação – Publicado em 11/07/2026 10:48 Foto: (Magnific

Um amplo estudo epidemiológico envolvendo cerca de 89 mil participantes acendeu o sinal de alerta para um hábito comum em muitos lares: o ato de dormir com lâmpadas, televisores ou telas de dispositivos eletrônicos ligados. Os resultados da pesquisa revelam que a exposição à luz artificial durante o período noturno interfere de forma agressiva no ritmo circadiano — o relógio biológico interno do corpo —, gerando uma associação direta com o aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares crônicas.

De acordo com os cientistas, o organismo humano necessita do escuro total para iniciar processos metabólicos vitais de reparação celular e regulação hormonal. Quando o ambiente permanece iluminado, a retina capta os estímulos luminosos mesmo com as pálpebras fechadas, enviando sinais de alerta ao cérebro. Esse mecanismo inibe a produção adequada de hormônios do descanso e impede que o corpo atinja os níveis profundos de sono necessários para o equilíbrio do coração.

Desregulação do Ritmo Circadiano e Pressão Arterial

A quebra do ritmo circadiano provocada pela claridade noturna desencadeia uma série de reações em cadeia no sistema nervoso autônomo. Durante o sono saudável em ambiente escuro, a pressão arterial e a frequência cardíaca sofrem uma queda natural, processo conhecido pelos médicos como descenso noturno, que serve para descansar as artérias e o músculo cardíaco.

Na presença de luz artificial, o corpo interpreta o cenário como se ainda estivesse em estado de vigília. Consequentemente, os níveis de cortisol (o hormônio do estresse) permanecem elevados, a frequência cardíaca não desacelera o suficiente e a pressão arterial se mantém alta ao longo da noite. A longo prazo, esse estado de estresse cardiovascular crônico danifica as paredes dos vasos sanguíneos, elevando as chances de infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e arritmias.

Recomendações dos Especialistas para um Quarto Seguro

Diante das evidências, cardiologistas e especialistas em medicina do sono reforçam a importância de adaptar a higiene do sono nas residências. A recomendação principal é desligar todas as fontes de luz artificial direta do quarto antes de deitar. No caso de pessoas que necessitam de alguma iluminação por motivos de segurança ou mobilidade, como idosos e crianças, os médicos orientam o uso de luzes guias de tomada com tonalidades quentes (como a vermelha ou alaranjada), posicionadas próximas ao chão, pois esse espectro luminoso agride menos o relógio biológico do que as luzes brancas ou azuis.

Outro vilão apontado pelas equipes de saúde é o uso de smartphones, tablets e televisores momentos antes de dormir. A luz azul emitida por essas telas bloqueia a liberação de melatonina, o hormônio indutor do sono, agravando o quadro de desregulação metabólica. O planejamento para uma noite saudável deve incluir o desligamento desses aparelhos pelo menos uma hora antes do repouso, garantindo que o coração possa usufruir de um descanso regenerativo e seguro.

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