Compartilhar o momento do descanso pode reduzir drasticamente o estresse e a ansiedade, mas especialistas alertam para os riscos biológicos e a perda de qualidade do sono.
Por O GLOBO — Publicado em 08/06/2026 às 14:27
A decisão de permitir que cães e gatos durmam na mesma cama que seus tutores divide opiniões entre os apaixonados por pets e a comunidade médica. Embora o hábito seja visto por muitos como uma demonstração máxima de afeto, especialistas em saúde humana e veterinária alertam que essa proximidade íntima durante a noite traz uma série de benefícios psicológicos, mas também esconde riscos invisíveis à saúde.
Deitado ao lado de um animal de estimação, o corpo humano passa por estímulos hormonais positivos. Segundo o veterinário Pablo Antonio Olmedo, a presença do pet eleva os níveis de ocitocina — o hormônio do bem-estar — e reduz o cortisol, substância diretamente associada ao estresse. Esse equilíbrio químico ajuda a melhorar o humor e facilita o processo de adormecer, gerando uma sensação de acolhimento.
O alívio da ansiedade contra as interrupções do sono
Entidades de peso, como a Fundação Nacional do Sono e a Associação Americana de Psiquiatria (APA), destacam que a companhia de um animal na cama é uma ferramenta eficaz para aliviar a ansiedade, mitigar a solidão e reforçar o sentimento de segurança, sobretudo para quem reside sozinho. A prática estreita os laços de confiança e a conexão emocional entre o tutor e o bicho.
Por outro lado, a Academia Americana de Medicina do Sono faz uma advertência importante: um terço das pessoas que dividem o leito com animais sofre com interrupções frequentes no descanso. Os pets possuem ciclos biológicos de sono diferentes dos humanos, movimentam-se bastante ao longo da noite, roncam e costumam despertar de madrugada, o que prejudica a qualidade do sono profundo do tutor.
Os riscos bacterianos e o perigo das alergias respiratórias
Além do sono fragmentado, os riscos biológicos precisam ser calculados. Animais de estimação podem ser vetores de parasitas, pulgas e bactérias perigosas. Pesquisas científicas revelaram que impressionantes 86% dos cães e 32% dos gatos são portadores de Enterobacteriaceae — um grupo de microrganismos que inclui a Salmonella, a E. coli e a Shigella, capazes de provocar quadros severos de gastroenterite em humanos.
O sistema respiratório também fica vulnerável devido às caspas dos animais (minúsculos flocos de pele morta que se soltam continuamente) e aos pelos flutuantes na cama. De acordo com a especialista Deborah Lee, da farmácia online Dr. Fox, a inalação involuntária dessas partículas engatilha respostas imunológicas agressivas. O resultado direto são crises frequentes de rinite alérgica, asma, dermatite e urticária, tanto em adultos quanto em crianças.
Cuidados essenciais e alternativas para o quarto
Para quem não abre mão de dormir perto do companheiro de quatro patas, a Clínica Mayo, nos Estados Unidos, pondera que o risco de infecção se torna consideravelmente baixo quando o pet recebe assistência veterinária adequada. Manter as vacinas atualizadas, aplicar vermífugos e remédios antipulgas regularmente, escovar o animal e lavar as roupas de cama com alta frequência são medidas obrigatórias de higiene.
Por fim, psicólogos e adestradores lembram que a dependência excessiva pode gerar ansiedade de separação no animal quando o dono precisa se ausentar. Como alternativa saudável que equilibra afeto e bem-estar, muitos especialistas sugerem uma solução intermediária: permitir que o pet durma no mesmo quarto que o tutor, porém acomodado em sua própria caminha disposta no chão.
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