Dia Nacional de Combate ao Glaucoma: Oftalmologista alerta para exames anuais após os 40 anos

No Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, celebrado nesta terça-feira (26), especialistas alertam para o caráter silencioso da doença. Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce em consultas de rotina evita a perda irreversível da visão periférica.

Por Idaicy Solano – Publicado em 26 de maio de 2026 às 17:15

Uma ameaça silenciosa ronda a saúde ocular dos brasileiros. O glaucoma, uma condição que causa o dano progressivo e irreversível do nervo óptico, pode levar à cegueira total sem apresentar qualquer tipo de dor, coceira ou sinal evidente em suas fases iniciais. Celebrado nesta terça-feira (26 de maio), o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma joga luz sobre a necessidade urgente de realizar consultas de rotina para descobrir o problema antes que seja tarde demais.

A doença registra maior prevalência em pessoas com mais de 60 anos, mas o risco de desenvolvê-la começa a subir de forma gradual a partir dos 40 anos. Por comprometer a visão de fora para dentro, as pessoas costumam demorar para notar a perda da capacidade visual, buscando ajuda médica apenas quando a visão central já foi afetada.

“Como a visão que a gente utiliza mais no nosso dia a dia é a visão central, muitas vezes demora pra ter esse diagnóstico. O paciente está perdendo a visão periférica, e isso não atrapalha as atividades do dia a dia. Quando ele percebe, já é tarde. Por isso, o glaucoma é considerado uma doença silenciosa”, alerta o oftalmologista Glauco Almeida, especialista do Humap-UFMS.

Fatores de risco: a força da genética e os traumas ocultos

A hereditariedade desempenha o papel mais crucial no surgimento do glaucoma. Pacientes que possuem familiares diagnosticados com a doença ou com histórico de cegueira na árvore genealógica devem manter consultas preventivas pelo menos uma vez ao ano, informando o histórico ao médico.

No entanto, o especialista pondera que a genética não é a única vilã:

Como funciona o tratamento para conter a doença

O dano gerado no nervo óptico funciona como uma estrada de mão única: o que foi perdido da visão não pode ser recuperado. Por isso, o foco total do tratamento médico está em reduzir de forma mecânica a pressão intraocular para preservar a estrutura restante do olho.

A medicina atual oferece três caminhos principais de controle. O primeiro consiste no uso diário de colírios que diminuem a produção do líquido dos olhos ou facilitam o seu escoamento natural. A segunda via envolve intervenções a laser, que se tornaram altamente eficazes e menos invasivas nos últimos anos, melhorando os canais de drenagem ocular.

Caso o tratamento clínico e as sessões de laser não alcancem a pressão ideal, o caso é direcionado para a abordagem cirúrgica. Em quadros iniciais a moderados, os médicos dão preferência a cirurgias microinvasivas. Já os pacientes em estágios severos passam por procedimentos complexos de drenagem, como a trabeculectomia ou a implantação de tubos de silicone. Vale destacar que todo o acompanhamento, exames, colírios e cirurgias são disponibilizados de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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