Em meio ao aumento de 188% nos afastamentos de trabalho por transtornos mentais no Brasil, especialista alerta sobre os riscos do autodiagnóstico e da patologização de sentimentos comuns gerados por conteúdos na internet.
Por Correio do Povo — Publicado em 10/10/2026 11:01 – Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil
Celebrado neste sábado, 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental acende um alerta sobre o impacto do consumo de conteúdos sobre transtornos psíquicos nas redes sociais. Em um cenário em que dados do Ministério da Previdência Social apontam que cerca de 500 mil brasileiros se afastaram do trabalho por problemas emocionais em 2025 — um crescimento de 188% entre 2021 e 2025 —, o debate sobre a saúde mental ganhou espaço, mas trouxe consigo o risco do autodiagnóstico precipitado.
De acordo com a psicóloga e docente da UniRitter, Marina Severo, embora o acesso facilitado à informação ajude a quebrar tabus históricos, muitos conteúdos virtuais promovem reducionismos perigosos. É frequente que usuários se identifiquem com sintomas genéricos divulgados em vídeos curtos, como desatenção, ansiedade momentânea ou irritabilidade, passando a encarar reações humanas normais como patologias.
A especialista enfatiza que publicações de redes sociais não devem servir para rotular a si mesmo ou buscar soluções rápidas, mas sim como ponto de partida para conversas em ambiente terapêutico. Além disso, muitos criadores de conteúdo não possuem formação ética ou profissional para falar sobre saúde mental, o que pode induzir a erros na percepção do próprio funcionamento emocional.
O diagnóstico formal só é necessário quando os sintomas passam a provocar prejuízos práticos na vida do indivíduo ou quando ele perde a capacidade de gerenciar o sofrimento sozinho. O processo correto exige avaliação clínica criteriosa por meio de psicodiagnóstico e acompanhamento com psicólogos e psiquiatras, considerando a complexidade social, biológica e psicológica de cada paciente.
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