Dia do Amigo: por que a nova geração está cada vez mais solitária e com menos amigos?

Dr. Guido Boabaid May explica porque o excesso de conexões digitais não tem sido suficiente para reduzir a solidão entre os jovens e alerta para os impactos dos vínculos superficiais na saúde mental

Por Redação – Publicado em 17/07/2026 – 14:48

As redes sociais,  mensagens instantâneas e aplicativos, tem aproximado cada vez mais as pessoas de diferentes lugares e tornaram a comunicação praticamente permanente. Ainda assim, a sensação de solidão cresce entre os jovens e tem chamado a atenção de especialistas, principalmente quando o assunto é saúde mental. No Dia do Amigo, celebrado em 20 de julho, o debate ganha ainda mais relevância diante de uma geração que acumula centenas de contatos no ambiente digital, mas relata cada vez mais dificuldade para construir amizades profundas e duradouras.

Segundo o médico psiquiatra Dr. Guido Boabaid May, nome à frente da GnTech, empresa pioneira de farmacogenética no Brasil, estar conectado não significa, necessariamente, sentir-se pertencente. “A solidão não é simplesmente ficar sozinho, ela surge quando existe uma diferença entre a qualidade das relações que a pessoa deseja e aquela que efetivamente encontra. As redes sociais multiplicaram os contatos, mas grande parte dessas interações é rápida, fragmentada e baseada em imagens cuidadosamente selecionadas. É possível acompanhar centenas de pessoas e, ao mesmo tempo, não ter alguém com quem conversar sobre uma dificuldade real”, explica.

O especialista destaca que o fenômeno vai muito além do comportamento individual, além das transformações trazidas pela tecnologia, fatores como jornadas intensas de estudo e trabalho, mudanças frequentes de cidade, relações profissionais mais instáveis, insegurança financeira e a redução dos espaços de convivência também dificultam a construção de vínculos duradouros. “Não se trata apenas de uma geração que não sabe se relacionar, mas de uma geração inserida em um contexto que facilita o contato e, paradoxalmente, pode dificultar a continuidade dos vínculos”, afirma o psiquiatra.

Embora a tecnologia possa fortalecer amizades e aproximar pessoas, principalmente aquelas que vivem longe ou compartilham interesses em comum, o problema surge quando as interações digitais substituem quase completamente o contato presencial. “O problema aparece quando ela substitui grande parte da convivência presencial, interfere no sono, incentiva comparações constantes ou transforma a relação em uma busca por validação por meio de curtidas, visualizações e respostas imediatas”, ressalta Guido.

Esse cenário faz com que muitas pessoas pareçam socialmente ativas, mas continuem emocionalmente isoladas. Participar de grupos, conversar diariamente ou publicar com frequência nas redes sociais não significa, necessariamente, sentir-se acolhido. “A pessoa pode conversar todos os dias e, ainda assim, não se sentir segura para pedir ajuda, demonstrar fragilidade ou falar sobre aquilo que realmente está vivendo”, comenta o especialista. Segundo ele, a qualidade das relações, a reciprocidade e a sensação de pertencimento são muito mais importantes do que o número de pessoas ao redor.

Além do impacto emocional imediato, a dificuldade em construir vínculos consistentes pode trazer consequências importantes para a saúde ao longo da vida. Relações duradouras funcionam como fator de proteção diante do estresse, fortalecem o senso de identidade e oferecem apoio em momentos difíceis. Quando a solidão se prolonga a tendência é que a pessoa passe a evitar novas conexões por medo de rejeição, criando um ciclo difícil de romper. Ao longo do tempo, esse isolamento está associado ao aumento do risco de sintomas depressivos, ansiedade, pior qualidade do sono, uso problemático de substâncias e até doenças cardiovasculares.

Apesar desse cenário, o especialista reforça que é possível fortalecer vínculos mais genuínos mesmo em um mundo cada vez mais digital. “Relações profundas não costumam surgir de forma imediata. Elas são construídas por repetição, disponibilidade e pequenos gestos de confiança”, explica. Para isso, ele recomenda reservar momentos de presença real, frequentar ambientes que favoreçam encontros recorrentes e utilizar a tecnologia como ponto de partida para relações presenciais. “Vale utilizar a tecnologia como ponte, não como destino final, transformar uma conversa em um telefonema, um telefonema em um encontro e um contato ocasional em uma presença mais constante”, conclui.

Sobre Guido Boabaid May

Psiquiatra  há 32 anos, com mais de 115 mil consultas realizadas e mais de 1.200 pacientes em tratamento guiado por teste farmacogenético. Pioneiro da farmacogenética no Brasil, o Dr. Guido é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil. Com mais de 30 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é  detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein. É palestrante e autor do livro “Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025 pela editora Buzz.

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