Dia da Saúde Ocular: Médico alerta para os perigos do olho seco e da automedicação no inverno
O mês de julho combina ar seco de inverno com o uso intensivo de telas nas férias escolares, gerando riscos para a saúde visual de toda a família. No Dia
No Dia da Saúde Ocular, oftalmologista adverte sobre os riscos da Síndrome do Olho Seco em adultos e do avanço da miopia em crianças durante o período de férias escolares.
Por Redação – Publicado em 10/07/2026 08:56 – Foto ChatGPT
O mês de julho reúne uma combinação climática e comportamental que coloca em risco a saúde visual de adultos e crianças. De um lado, as baixas temperaturas do inverno reduzem drasticamente a umidade relativa do ar e concentram poluentes na atmosfera. De outro, as férias escolares e a manutenção do regime de home office disparam o tempo de exposição diária a telas de celulares, tablets e computadores. Neste dia 10 de julho, data em que se celebra o Dia da Saúde Ocular, especialistas advertem que este cenário cria uma “tempestade perfeita” para o surgimento de disfunções e o agravamento de doenças crônicas nos olhos.
De acordo com o Dr. Cleso Andrade, oftalmologista e professor da Faculdade São Leopoldo Mandic, a baixa umidade acelera a evaporação natural da lágrima, enquanto a concentração em dispositivos digitais reduz a frequência de piscadas de 20 para apenas 5 vezes por minuto. A consequência direta nos adultos é o avanço da Síndrome do Olho Seco e da fadiga ocular crônica (astenopia), manifestada por vermelhidão, ardor e dores de cabeça ao fim do expediente. O maior perigo, contudo, é a automedicação com colírios com corticoides, que podem mascarar enfermidades e causar glaucoma ou catarata precoce.
O Impacto das Férias e do Confinamento na Visão Infantil
Para o público infantil, o alerta máximo está concentrado no desenvolvimento da miopia. O confinamento dentro de casa devido ao clima frio estimula o entretenimento focado em telas posicionadas a poucos centímetros do rosto. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) já aponta um crescimento severo dos diagnósticos e o Dr. Cleso reforça que a falta de exposição à luz solar indireta atua como um acelerador genético para que crianças manifestem ou progridam o erro refrativo.
Os pais devem monitorar comportamentos atípicos nos filhos, como o hábito de apertar os olhos para focar imagens distantes, aproximar-se excessivamente da televisão ou livros, esfregar as pálpebras com frequência, além de queixas de dores de cabeça e queda súbita no rendimento escolar. O especialista reforça que a prevenção, por meio de consultas periódicas ao consultório, continua sendo o único método eficaz para o diagnóstico precoce de distorções na retina e problemas silenciosos de visão.
Guia Prático de Proteção Ocular no Inverno
- Aplique a regra 20-20-20: A cada 20 minutos de uso de telas, desvie o olhar por 20 segundos para um objeto localizado a pelo menos 6 metros de distância. O exercício promove o relaxamento imediato da musculatura ciliar interna do olho.
- Estimule piscadas conscientes: Faça pausas intencionais para piscar e reidratar a córnea. O uso de lágrimas artificiais e lubrificantes sem conservantes pode ser adotado, desde que validados por um médico especialista.
- Umidifique os ambientes fechados: Utilize aparelhos umidificadores ou bacias com água nos cômodos de maior permanência da casa. Evite direcionar o fluxo de aquecedores, ventiladores e aparelhos de ar-condicionado diretamente contra o rosto.
- Limite o tempo de tela por idade: A recomendação médica prescreve veto total de telas para menores de 2 anos (exceto videochamadas rápidas). Crianças de 2 a 5 anos devem usar no máximo uma hora por dia, e a faixa de 6 a 10 anos deve limitar-se a duas horas diárias.
- Incentive atividades externas: Promova ao menos duas horas diárias de brincadeiras ao ar livre, mesmo em dias frios. A exposição à luz natural atua como um fator biológico protetor que freia o crescimento axial do olho e previne o avanço da miopia.
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