Lançamento de publicação no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia alerta para o colapso nas células da visão provocado pelo tabagismo, alcoolismo e intoxicação por metanol.
Por Paula Laboissière – Publicado em 16/09/2026 – 09:22 – Foto: Marcelo Camargo
O consumo prolongado de álcool e tabaco pode comprometer drasticamente a produção de energia nas células responsáveis pelo funcionamento da visão, resultando em sequelas graves e até cegueira. O alerta consta no panorama sobre neuro-oftalmologia apresentado no livro Neuro-Oftalmologia, lançado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) durante seu 70º Congresso Brasileiro, em Salvador.
A subespecialidade atua no diagnóstico e tratamento de distúrbios visuais originados no sistema nervoso central. De acordo com os organizadores da obra, Eric Pinheiro de Andrade, Leonardo Provetti Cunha e Mário Luiz Monteiro, o nervo óptico funciona como uma extensão direta do cérebro, permitindo que alterações visuais sinalizem precocemente condições como esclerose múltipla, aneurismas, tumores na hipófise, infartos ópticos e neuropatias tóxicas.
Riscos do tabaco, álcool e intoxicação por metanol
A degradação da visão provocada pelo abuso de tabaco e bebidas alcoólicas ocorre de forma progressiva e indolor, atingindo ambos os olhos ao mesmo tempo. Os pacientes costumam apresentar um borrão na região central da visão, mantendo a visão periférica, além do desbotamento das cores — como o tom vermelho assumindo um aspecto rosa lavado.
Cenário ainda mais crítico ocorre na ingestão acidental de metanol, substância frequentemente encontrada em bebidas alcoólicas adulteradas. A toxina causa danos ao longo de todo o trajeto óptico, manifestando sintomas entre 6 e 24 horas após o consumo. A condição inclui visão turva, dilatação das pupilas e fotofobia, podendo evoluir para cegueira irreversível, convulsões e coma.
Diagnóstico e abordagens terapêuticas
A anamnese — entrevista detalhada sobre hábitos do paciente, histórico familiar, alimentação e cirurgias prévias — é responsável por direcionar o diagnóstico correto em até 90% das ocorrências. O processo investigativo conta ainda com exames de imagem como a Tomografia de Coerência Óptica (OCT) e a ressonância magnética.
O tratamento para neuropatias tóxicas exige a interrupção imediata do consumo dos agentes agressores. Nos quadros de deficiência nutricional, realiza-se a reposição vitamínica urgente. Para casos agudos de intoxicação por metanol, a conduta hospitalar envolve o uso de antídotos, correção da acidose e procedimentos de diálise para conter a perda definitiva da visão.
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