Cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia alerta que a condição geralmente não apresenta sintomas e reforça a importância dos exames preventivos
Por Redação – Publicado em 08/08/2026 – 10:56
O colesterol alto é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, responsáveis por cerca de 400 mil mortes por ano no Brasil. Apesar disso, muitas pessoas convivem com níveis elevados de colesterol sem saber, já que, na maioria dos casos, a condição não provoca sinais ou sintomas.
Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) mostram que aproximadamente 40% da população adulta brasileira apresenta níveis elevados de colesterol, condição que favorece o acúmulo de gordura nas artérias. Com o tempo, esse processo pode estreitar ou até bloquear a passagem do sangue, aumentando significativamente o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardiovasculares.
Segundo a cardiologista Dra. Rafaela Penalva, chefe da Seção de Cardiometabolismo do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, o grande desafio está justamente no fato de a condição evoluir de forma silenciosa. “O colesterol alto normalmente não causa sintomas. Muitas pessoas descobrem o problema apenas durante exames de rotina ou, infelizmente, após um evento cardiovascular, como um infarto ou um AVC. Por isso, a prevenção é fundamental”, explica.
Quem pode ter colesterol alto?
A condição é mais frequente em adultos, mas qualquer pessoa pode apresentar colesterol alto. O risco aumenta entre indivíduos com histórico familiar de colesterol alto, excesso de peso, obesidade, sedentarismo, alimentação rica em gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados, diabetes, hipertensão e tabagismo.
Além disso, existe a possibilidade de a condição ter origem genética. A hipercolesterolemia familiar, por exemplo, pode provocar níveis muito elevados de colesterol desde a infância e aumentar precocemente o risco de doenças cardiovasculares.
O colesterol alto é considerado uma condição silenciosa porque, em geral, não provoca manifestações clínicas antes do surgimento de complicações. “Quando surgem sintomas, geralmente eles estão relacionados às complicações da doença, como dor no peito, infarto ou AVC, e não ao colesterol elevado em si”, destaca a Dra. Rafaela.
Em casos mais graves, especialmente em pessoas com hipercolesterolemia familiar, podem surgir depósitos de gordura na pele ou ao redor dos olhos e nódulos nos tendões, mas não são comuns.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é simples e realizado por meio de um exame de sangue chamado perfil lipídico, que avalia os níveis de colesterol total, LDL (conhecido como “colesterol ruim”), HDL (“colesterol bom”) e triglicerídeos.
A frequência dos exames depende da idade e dos fatores de risco de cada paciente, sendo recomendada uma avaliação periódica conforme orientação médica.
Tratamento vai além dos medicamentos
O tratamento é individualizado e depende do risco cardiovascular de cada paciente. Em primeiro lugar, é necessário realizar mudanças no estilo de vida, que incluem manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso e não fumar. O consumo de bebidas alcoólicas também deve ser avaliado individualmente e, quando indicado, reduzido ou evitado.
Quando essas medidas não são suficientes ou quando o paciente apresenta risco cardiovascular elevado, podem ser indicados medicamentos para reduzir os níveis de colesterol, principalmente as estatinas.
“O objetivo do tratamento não é apenas diminuir um número no exame, mas reduzir efetivamente o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular. Hoje dispomos de tratamentos bastante eficazes para atingir esse objetivo”, ressalta a cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
Prevenção continua sendo a melhor estratégia
Manter hábitos saudáveis e realizar exames preventivos regularmente são medidas importantes para reduzir o risco de complicações. “Mesmo quem se sente saudável deve acompanhar regularmente os níveis de colesterol. Quanto mais cedo identificamos alterações, maiores são as chances de prevenir doenças cardiovasculares e garantir uma vida mais longa e saudável”, conclui a cardiologista.
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