Medida inédita visa criar uma “geração livre do fumo”, mas especialistas apontam que cenário brasileiro exige estratégias diferentes
Por O Globo/Bernardo Yoneshigue – Publicado em: 12/05/2026 às 08:33 – Foto – Freepik
O Reino Unido aprovou, em abril, uma legislação histórica que pode mudar os rumos do combate ao tabagismo no mundo. A nova lei proíbe a venda de cigarros para qualquer pessoa nascida a partir de 1º de janeiro de 2009, mesmo após atingirem a maioridade. A medida cria uma barreira geracional que, na prática, visa extinguir gradualmente o consumo de tabaco no país.
Especialistas ouvidos pelo GLOBO elogiam a iniciativa, mas destacam que a implementação de algo semelhante no Brasil enfrenta desafios estruturais e divergências regulatórias, especialmente no que diz respeito aos dispositivos eletrônicos.
Reino Unido vs. Brasil: O embate dos Vapes
Uma das principais diferenças entre as duas nações está na regulamentação dos cigarros eletrônicos (vapes):
- No Reino Unido: O governo indicou, por anos, os vapes como alternativa para adultos que desejam largar o fumo tradicional. No entanto, o avanço desses dispositivos entre jovens (13% na faixa de 16 a 24 anos) forçou o endurecimento das regras, proibindo propagandas e modelos descartáveis.
- No Brasil: A Anvisa mantém a proibição total da comercialização de cigarros eletrônicos. Para Mônica Andreis, diretora da ACT Promoção da Saúde, embora o debate sobre a proibição geracional ainda não exista no Brasil, o país já adota uma postura rígida contra os novos dispositivos para impedir que jovens iniciem a dependência química.
A estratégia da “Redução de Danos” sob crítica
A pneumologista Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, critica a postura anterior do Reino Unido de fornecer vapes gratuitamente como estratégia de redução de danos. “A concentração de nicotina nesses aparelhos é dezenas de vezes superior. O que aconteceu foi um acesso muito forte pelos jovens, gerando novos dependentes que muitas vezes migram para o cigarro tradicional”, alerta a médica.
Desafios de implementação e mercado ilegal
A eficácia da lei britânica ainda é acompanhada com cautela. Especialistas como Ana Maria Malik, da USP/FGV, enfatizam a importância da fiscalização para evitar que a proibição fortaleça o mercado clandestino.
No Brasil, o controle do contrabando é um dos maiores entraves para medidas mais extremas. Enquanto o Reino Unido busca reduzir a prevalência do tabagismo para menos de 5% até 2030, o Brasil foca em manter a tendência de queda conquistada nas últimas décadas através de políticas de preços e proibição de publicidade.
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