Nova declaração científica da Associação Americana do Coração (AHA) fixa consumo seguro de até 400 mg de cafeína por dia para adultos, mas faz alerta rigoroso contra o excesso de bebidas energéticas e cápsulas concentradas.
Por Redação g1 – Publicado em 20/07/2026 – 17:00
Inserir o café na rotina diária pode atuar como um aliado da saúde cardiovascular para a maioria dos adultos. Essa é a conclusão central de uma abrangente declaração científica publicada pela American Heart Association (AHA — Associação Americana do Coração). A revisão de estudos revelou que o consumo habitual e moderado — de até 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a cerca de três a cinco xícaras de 240 ml — é seguro e correlaciona-se com a redução de eventos como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e fibrilação atrial.
Apesar das constatações positivas em relação à bebida tradicional, cardiologistas ressaltam que o benefício não se estende para suplementos concentrados de cafeína nem para bebidas energéticas industrializadas.
Antioxidação, controle glicêmico e arritmias
A pesquisa ressalta que os efeitos protetores não decorrem puramente da cafeína, mas sim da sinergia entre componentes bioativos presentes no grão, como ácidos clorogênicos, trigonelina e melanoidinas. Essas substâncias possuem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que auxiliam na função vascular e na sensibilidade à insulina.
O levantamento da AHA apontou impactos relevantes no organismo:
- Diabetes Tipo 2: O consumo de 3,5 a 5 xícaras diárias de café relacionou-se a uma redução de 20% a 30% no risco do desenvolvimento de diabetes tipo 2.
- Saúde Coronariana: Ingestão moderada indicou redução de cerca de 10% no risco de doença arterial coronariana.
- Arritmias Cardíacas: O café habitualmente não eleva o risco de fibrilação atrial, tendo inclusive demonstrado redução na recorrência do problema em pacientes que mantiveram o consumo de ao menos uma xícara diária.
O método de preparo e o alerta contra energéticos
O modo de extração do café impacta diretamente o perfil lipídico do consumidor. Métodos de preparação sem filtro de papel — como imprensa francesa (French press), café turco ou fervido — contêm concentrações de cafestol, composto capaz de elevar os níveis sanguíneos de colesterol ruim (LDL). Já os cafés filtrados em papel ou solúveis isolam a substância, eliminando esse risco.
Em contrapartida, os médicos enfatizam cautela extrema em relação às bebidas energéticas, pós e cápsulas concentradas de cafeína. A ingestão desmedida desses produtos sintéticos pode gerar picos severos de pressão arterial, episódios de fibrilação ventricular e acréscimo no risco de morte súbita.
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