Especialistas alertam para os perigos do marketing nutricional e ensinam a identificar açúcares ocultos, aditivos quimicamente modificados e gorduras saturadas em produtos industrializados.
Por Saúde Abril – Publicado em 03/11/2026 13:53 – Foto: Towfiqu Barbhuiya/ Unsplash/Divulgação
Barras de cereais, granolas crocantes, iogurtes com alto teor de proteína e biscoitos rotulados como “fit”. Nas prateleiras dos supermercados, a profusão de produtos com apelo à saúde e ao bem-estar vem crescendo, mas a realidade por trás de muitas embalagens esconde um alerta importante: nem tudo o que parece saudável realmente é.
Segundo endocrinologistas e nutrólogos, o consumidor frequentemente cai no chamado “marketing nutricional”, comprando produtos ultraprocessados acreditando estar fazendo escolhas Benéficas para o organismo ou para o emagrecimento.
Por que termos como ‘fitness’, ‘integral’ e ‘proteico’ enganam?
A legislação permite que produtos estampem alegações de saúde na parte frontal da embalagem se atenderem a critérios isolados de composição. No entanto, isso não impede que o mesmo alimento contenha altos teores de ingredientes prejudiciais:
- Barras de proteína e cereais: Muitas versões comerciais contêm grandes quantidades de xarope de glicose, açúcar invertido, gordura vegetal hidrogenada e aditivos sintéticos para conferir sabor e textura. Na prática, a carga calórica e o teor de açúcar podem se equiparar aos de uma barra de chocolate tradicional.
- Granolas tradicionais: Diversas marcas utilizam mel de engenho, açúcar mascavo, açúcar demerara ou xaropes para deixar a granola crocante, transformando o produto em um item de alto índice glicêmico.
- Iogurtes proteicos aromatizados: Embora forneçam uma boa dose de proteína, algumas opções vêm acompanhadas de adoçantes artificiais em excesso, espessantes e aromatizantes sintéticos que podem desregular a flora intestinal.
Como ler o rótulo da maneira correta
Para não cair em pegadinhas nutricionais, endocrinologistas recomendam adotar regras simples na hora da compra:
- Esqueça a frente da embalagem: As expressões “sem adição de açúcares”, “baixo em calorias” ou “rico em fibras” servem à publicidade. Vá direto para a lista de ingredientes.
- Atente-se à ordem dos componentes: Os ingredientes aparecem em ordem decrescente, do que tem maior quantidade para o que tem menor. Se o açúcar (ou um de seus nomes derivados) for um dos três primeiros itens, o produto não é saudável.
- Cuidado com os sinônimos do açúcar: O açúcar nem sempre vem escrito com essa palavra. Fique atento a termos como: maltodextrina, xarope de milho, frutose, dextrose, Néctar de agaves, xarope de glicose e açúcar invertido.
- Quanto menor a lista, melhor: Alimentos com listas extensas de ingredientes e muitos nomes desconhecidos (emulsionantes, conservantes, corantes) costumam ser ultraprocessados e devem ser evitados no dia a dia.
A orientação médica principal é priorizar comida de verdade — frutas, castanhas in natura, iogurtes naturais integrais ou desnatados sem sabor e cereais como aveia —, reservando os produtos industrializados embalados apenas para ocasiões eventuais.
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