Avanço e Desafio na Oncologia: Como o Câncer de Pâncreas Cria Resistência ao Remédio Promissor Daraxonrasib
Estudo publicado na Nature Medicine e caso do ex-senador americano Ben Sasse revelam como o tumor multiplica a proteína-alvo KRAS para anular o efeito do daraxonrasib. Por Talyta Vespa —
Estudo publicado na Nature Medicine e caso do ex-senador americano Ben Sasse revelam como o tumor multiplica a proteína-alvo KRAS para anular o efeito do daraxonrasib.
Por Talyta Vespa — Publicado em 06/10/2026 16:40 – Foto: Reprodução/Instagram
Após emocionar a comunidade médica durante o congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) com resultados de sobrevida inéditos, o comprimido daraxonrasib enfrenta o desafio da resistência tumoral. O caso do ex-senador americano Ben Sasse, cujo câncer de pâncreas deixou de responder ao fármaco após nove meses de tratamento, ilustra a capacidade de adaptação da doença e impulsiona pesquisas para compreender os mecanismos de escape genético.
O daraxonrasib, aprovado nos Estados Unidos em agosto de 2026 e ainda indisponível no Brasil, atua bloqueando a proteína KRAS mutada, presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos. A molécula se une à proteína celular ciclofilina A, fixando-se ao KRAS e desligando o sinal de proliferação celular. Embora o medicamento tenha dobrado o tempo médio de progressão da doença (de 3,5 para 7,3 meses) e elevado a sobrevida mediana para 13,2 meses, a maioria dos tumores acaba desenvolvendo formas de contornar o bloqueio.
Um estudo conduzido por cientistas do Dana-Farber Cancer Institute e da Revolution Medicines, publicado na revista Nature Medicine, analisou o DNA tumoral circulante no sangue de 44 pacientes para mapear essa resistência. Em cerca de um terço dos casos, o tumor respondeu ao tratamento multiplicando as cópias do gene KRAS mutado. Esse aumento expressivo faz com que a quantidade de proteína produzida supere a capacidade de neutralização da dose diária do comprimido.
Além da multiplicação da proteína-alvo, os pesquisadores identificaram rotas alternativas de sinalização celular que contornam o bloqueio principal, além da ativação de genes como o MYC, que mantêm a multiplicação celular de forma independente do KRAS. Em cerca de 40% dos casos analisados, o escape ocorreu por alterações no comportamento celular sem mutações genéticas detectáveis no sangue.
Para combater a resistência, a comunidade científica aposta em estratégias combinadas. O ensaio clínico RASolute 303 acompanha cerca de 900 pacientes recém-diagnosticados para avaliar a eficácia do uso concomitante do daraxonrasib com a quimioterapia tradicional desde o início do tratamento. O objetivo é bloquear as vias secundárias de crescimento tumoral antes que o câncer desenvolva mecanismos de adaptação.
Saiba mais 📲https://revistasaudeemforma.com.br/