Aumento do consumo de alimentos ultraprocessados entre jovens preocupa especialistas pela saúde bucal

Dados do IBGE mostram que 98% dos adolescentes consomem produtos ultraprocessados diariamente; especialista da USP alerta para o acúmulo de açúcar, produção de ácidos e aparecimento de cáries.

Por Gustavo Radaelli/ Jornal da USP – Publicado em 22/07/2026 – 17:40Foto:Magnific

O consumo frequente de alimentos ultraprocessados tornou-se parte da rotina da imensa maioria dos adolescentes brasileiros. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que 98% dos jovens entre 13 e 17 anos consumiram ao menos um alimento ultraprocessado nas 24 horas anteriores à entrevista.

Para além dos prejuízos já consolidados para a saúde metabólica e cardiovascular, um estudo conjunto entre a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) confirmou a relação direta entre esse padrão alimentar e o avanço de complicações na saúde bucal dos jovens.

Açúcar, ácidos e a formação de cáries

Os produtos ultraprocessados destacam-se pelos altos teores de açúcares adicionados, sódio, gorduras e baixa quantidade de fibras e micronutrientes. Na cavidade oral, essa combinação cria um ambiente propício para o desenvolvimento de patologias graves:

Segundo Ana Carolina Magalhães, professora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, a adolescência é uma janela crucial para a fixação de comportamentos alimentares.

— “A orientação é priorizar alimentos in natura e minimamente processados. Os ultraprocessados fazem parte da realidade, mas é importante reduzir o consumo diário e reforçar a higiene bucal, envolvendo família, escola e comunidade”, destaca a pesquisadora.

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