Aos 100 anos, Jô Clemente é homenageada no aniversário de 50 anos do teste do pezinho no Brasil

Exame que revolucionou a triagem neonatal no país alcança meio século de existência; passado de lutas por direitos de pessoas com deficiência intelectual esbarra hoje em desafios de ampliação.

Por Daniela Mendes – Publicado em 23/06/2026 10:29 – Foto: Magnific

O teste do pezinho completou 50 anos de história no Brasil, consolidando-se como um dos exames preventivos mais importantes da saúde pública do país. O marco histórico traz à tona a trajetória de Jô Clemente, uma mulher pioneira que, aos 100 anos de idade, é celebrada como a grande força motriz por trás da implementação da triagem neonatal em território nacional, mudando para sempre o destino de milhões de crianças brasileiras.

Uma Luta que Começou na Maternidade

A história do exame no Brasil está diretamente ligada à fundação da Apae de São Paulo (hoje Instituto Jô Clemente – IJC). Jô Clemente iniciou sua jornada na década de 1960 a partir da busca de respostas para a deficiência intelectual de seu filho, Zeca. Ao perceber a falta de assistência, diagnóstico e direitos para essa população, ela liderou um movimento nacional de conscientização.

Na década de 1970, sua atuação foi decisiva para trazer ao Brasil a tecnologia capaz de detectar a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito em recém-nascidos através de gotinhas de sangue colhidas do calcanhar do bebê. Identificar essas doenças nos primeiros dias de vida permitiu iniciar o tratamento antes do desenvolvimento de sequelas neurológicas irreversíveis e da deficiência intelectual.

Conquistas Históricas e o Futuro do Exame

A evolução do teste do pezinho no Sistema Único de Saúde (SUS) reflete décadas de ativismo, mas o cenário atual impõe novos debates estruturais para a medicina neonatal.

A Importância do Prazo Legal Pediatras e especialistas reforçam que o teste do pezinho deve ser realizado idealmente entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê. A coleta precoce é fundamental, pois muitas das condições crônicas e genéticas investigadas não apresentam sintomas visíveis logo após o parto, mas começam a lesionar os órgãos e o sistema nervoso central assim que a criança inicia a amamentação.

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