Medida sanitária atinge compostos naturais e infusões que usavam nome de remédio aprovado para induzir o consumidor ao erro.
Por Maurício Brum – Publicado em 14/08/2026 – 16:30
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição da comercialização, fabricação, distribuição e propaganda de uma série de chás e compostos de ervas que prometiam emagrecimento rápido. A medida foi tomada após a fiscalização identificar que os produtos utilizavam irregularmente o nome da caneta emagrecedora Mounjaro (tirzepatida) para atrair consumidores em plataformas digitais e redes sociais.
A decisão visa combater o avanço do mercado clandestino de suplementos e soluções “naturais” que se aproveitam da alta demanda por tratamentos para perda de peso para comercializar produtos sem comprovação de segurança ou eficácia.
“A associação indevida de chás e compostos sem registro a marcas de medicamentos aprovados induz o consumidor ao erro e representa um risco grave à saúde pública”, alertam os fiscais do órgão sanitário.
Fraude e riscos à saúde
A fiscalização constatou que os fabricantes das infusões proibidas utilizavam termos como “Mounjaro natural”, “chá Mounjaro” ou “tirzepatida em ervas” em rótulos e materiais publicitários.
Entre os principais perigos associados ao consumo desses produtos irregulares, destacam-se:
- Substâncias desconhecidas: A ausência de registro impede o conhecimento da real composição do produto, que pode conter substâncias tóxicas ou adulterantes ocultos;
- Falsa sensação de segurança: A rotulagem como “100% natural” costuma mascarar a presença de diuréticos e laxantes em doses perigosas;
- Interações medicamentosas: O uso de ervas sem controle pode interferir no funcionamento de outros remédios de uso contínuo, provocando danos hepáticos e renais.
Orientações ao consumidor
A Anvisa reforça que não existem chás ou produtos naturais com aprovação para o tratamento da obesidade que substituam medicamentos regulamentados. Fórmulas com tirzepatida ou semaglutida são de uso injetável, exigem prescrição médica e possuem processo de fabricação altamente controlado.
A recomendação para quem adquiriu os itens proibidos é interromper o uso imediatamente. Denúncias sobre a venda continuada desses produtos podem ser feitas por meio dos canais oficiais da Anvisa ou dos órgãos locais de vigilância sanitária.
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