Anvisa mantém suspensão de lotes específicos da Ypê, mas libera produtos recentes
Por Agência Brasil – Publicado em 15/06/2026 – 15:24
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve, em resolução publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (15), a suspensão da comercialização, distribuição e uso de lotes específicos de produtos de limpeza da marca Ypê. A medida atinge diretamente linhas de desinfetantes, detergentes lava-louças e lava-roupas líquidos.
Por outro lado, a agência reguladora flexibilizou parte das restrições anteriores ao publicar uma nova resolução que libera o comércio de lava-louças líquidos e desinfetantes fabricados a partir de março de 2026 (com final de lote 1). Os itens produzidos a partir de abril também já contam com autorização para circular livremente no mercado nacional.
Confira os lotes que continuam afetados
De acordo com a Anvisa, a manutenção do veto foi motivada pelo descumprimento de requisitos técnicos de fabricação previstos na RDC nº 47/2013, irregularidade constatada durante uma detalhada inspeção sanitária realizada entre os dias 27 e 30 de abril deste ano. Veja o que continua proibido:
- Desinfetantes (Bak Ypê e Pinho Ypê): Seguem suspensos todos os lotes com final 1 fabricados antes de 1º de março de 2026.
- Detergentes Lava-Louças (incluindo linhas Clear, Green, Concentrado, Toque Suave e Enzimas Ativas): Seguem suspensos todos os lotes com final 1 fabricados antes de 1º de março de 2026.
- Lava-Roupas Líquidos (Tixan Ypê e Ypê Líquido – nas versões Premium, Antibac, Coco e Baunilha): Seguem suspensos todos os lotes com final 1 fabricados antes de 1º de abril de 2026.
Em nota, a assessoria da Ypê informou que apresentou nesta segunda-feira à Anvisa novos laudos de análise emitidos por laboratórios independentes e autorizados. As análises contemplam os lotes de final 1 produzidos em janeiro e fevereiro de 2026, e a fabricante aguarda uma avaliação técnica do órgão para tentar liberar o restante dos produtos retidos.
Histórico da Crise e Riscos à Saúde
O embate regulatório teve início no dia 7 de maio, quando a Anvisa determinou a suspensão preventiva de mais de 100 lotes da marca após uma vistoria identificar 76 irregularidades sanitárias graves na planta industrial de Amparo (SP), apontando um severo risco de contaminação microbiológica.
O sinal de alerta foi redobrado porque, em novembro de 2025, a Ypê já havia enfrentado problemas semelhantes com a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em suas linhas de lava-roupas.
O perigo da bactéria:
A Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo comumente encontrado no ambiente, em solos e superfícies úmidas. Embora seja inofensiva para indivíduos saudáveis, ela se comporta como um patógeno oportunista, sendo capaz de provocar infecções graves em pessoas com o sistema imunológico fragilizado, como idosos, pacientes oncológicos, transplantados ou portadores de doenças crônicas. É por essa razão que a Anvisa classifica as sanções atuais como medidas preventivas essenciais para resguardar a saúde pública.
Os produtos afetados que já foram distribuídos e ainda se encontram nas gôndolas dos supermercados deverão passar por processos de recolhimento voluntário e monitoramento sanitário contínuo, conforme o plano de contingência firmado entre a autarquia federal e a fabricante.
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