Anvisa alerta: soroterapia não tem eficácia comprovada para pessoas saudáveis e oferece riscos à saúde
A Anvisa emitiu um alerta contra o uso da soroterapia por pessoas saudáveis, destacando que a aplicação intravenosa de vitaminas e nutrientes para fins estéticos, energéticos ou de "detox" não
Agência adverte que aplicação intravenosa de vitaminas e nutrientes deve se limitar a casos de deficiências diagnosticadas; excesso de substâncias pode lesionar rins e fígado.
Por Redação g1 – Publicado em 14/07/2026 14:11 – Foto: Adobe Stock
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta oficial sobre a soroterapia, prática que consiste na aplicação de vitaminas, minerais, medicamentos e outros nutrientes diretamente na corrente sanguínea por via intravenosa. Popularizado nas redes sociais com promessas de rejuvenescimento, aumento da imunidade, ganho de energia e efeito “detox”, o procedimento não possui comprovação científica de benefícios quando realizado em pessoas saudáveis.
Segundo a agência reguladora, a infusão intravenosa é um recurso terapêutico legítimo, mas que deve ser estritamente restrito a cenários clínicos específicos. A indicação médica correta se limita a pacientes desidratados, indivíduos hospitalizados que não conseguem se alimentar por vias tradicionais ou pessoas que apresentam deficiências nutricionais graves previamente diagnosticadas por exames de saúde.
Os riscos da aplicação na veia e da hipervitaminose
A Anvisa adverte que introduzir substâncias diretamente na corrente sanguínea sem necessidade médica expõe o paciente a riscos desnecessários. Entre as complicações imediatas associadas à punção venosa e à manipulação de agulhas estão as infecções locais e generalizadas, além de reações alérgicas graves aos componentes aplicados.
Outro perigo negligenciado pelos adeptos da técnica é a hipervitaminose, condição desencadeada pelo excesso de vitaminas no organismo. O uso indiscriminado desses nutrientes em doses muito superiores às necessidades diárias recomendadas pode sobrecarregar órgãos vitais, provocando sintomas como dores de cabeça, náuseas e vômitos, além de causar danos severos e alterações no funcionamento do fígado e dos rins.
O mito do “cosmético injetável” e cuidados essenciais
A agência aproveitou o comunicado para desmistificar o termo “cosmético injetável”, frequentemente utilizado por clínicas de estética para promover as infusões. A Anvisa esclarece que essa categoria de produto não existe na legislação brasileira. Por definição, cosméticos são itens de uso exclusivamente externo, aplicados sobre a pele, unhas, cabelos, dentes ou lábios. Qualquer substância administrada por meio de agulhas e injeções entra obrigatoriamente na classe de medicamentos ou dispositivos médicos, necessitando de aprovação e registro prévios do órgão sanitário para serem comercializados.
Antes de se submeter a qualquer terapia injetável, a recomendação é que o consumidor adote medidas preventivas de segurança:
- Verifique se todos os insumos e ampolas utilizados estão devidamente regularizados e registrados na Anvisa;
- Confirme se o profissional responsável possui habilitação técnica legal para realizar punções e aplicações intravenosas;
- Consulte o conselho de classe da categoria do profissional para certificar-se de que o procedimento é reconhecido e autorizado por aquela autarquia.
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