ALZHEIMER, SEM PRECONCEITOS
- Publisheddezembro 27, 2025
opulação envelhecendo, uma realidade, um triunfo, seremos uma multidão de avôs e avós. Ao lado de uma geração de idosos saudáveis, que viaja, lê, aprende, ensina, se movimenta, podemos dizer que existe também uma parcela significativa de pessoas que envelhecem com doenças, com dependência. As demências fazem parte das doenças que mais trazem prejuízos ao idoso e sua família, isso é real. A perda progressiva da memória recente, a desorientação, as dificuldades no planejamento e na execução de tarefas simples, vão trazendo limitações, inicialmente em atividades como lidar com finanças e tomar os remédios, mas, posteriormente, comprometendo atividades básicas como tomar banho sozinho e se locomover.
A falta de conhecimento, de aceitação, a vergonha, o medo, estão na origem de tanto estigma e preconceito com relação a quem tem alguma demência. Atualmente, com tantos casos – 1 a cada 4 segundos no mundo – as entidades que tratam de conscientizar a sociedade sobre as demências, se preocupam com a necessidade de combater o estigma, quando é criada uma identidade deturpada da doença e das pessoas com diagnóstico. A ausência do diagnóstico ou quando ele é feito muito tardiamente, faz com que a demência vista a máscara do “senil”, como se toda pessoa que envelhecesse viesse a perder as funções cognitivas. Para outros, a demência é, erroneamente, vista como uma segunda infância, como se a doença suprimisse desejos, como os sexuais. Demência é também muito confundida com depressão. Apesar de estarem muito relacionadas, são doenças diferentes, com tratamentos diferentes. Como a maioria das doenças que alteram o comportamento, a demência também é vista como loucura e, como tal, revestida de periculosidade, gerando exclusão social, com afastamento dos familiares e amigos. Importante informar que nem todo paciente com demência se torna agressivo e que muitos têm esse comportamento devido à dificuldade do cuidador em lidar com situações, como perguntas repetitivas, rejeição ao banho e alimentação, inquietação, dentre outras.
A exclusão social priva a pessoa com demência daquilo que é fundamental para ele: estimulação. Os contatos sociais resgatam memórias antigas, estimulam a fala, a atenção e o raciocínio, e promovem a auto-estima. E quando uma atividade em grupo também está associada à alguma atividade física, os neurônios agradecem ainda mais. Podem ser atividades muito simples, mas que tem um potencial enorme no tratamento dos quadros demenciais. É necessário, nesse aspecto, quebrar mais um estigma, o de que pessoas com demência não podem aprender mais. É claro que existe uma dificuldade progressiva na capacidade de aprendizado, mas com treinamento adequado, principalmente se realizado por profissionais e em fases iniciais, os pacientes com demência podem sim se beneficiar.
Para combatermos o estigma em torno de demências como o Alzheimer, todos precisamos fazer a pergunta: será que nossas atitudes são empáticas, com relação à pessoa com demência e seu cuidador? Qual nosso esforço para compreendermos o problema do outro? Será apenas pena? Sentir-se triste pela tristeza do outro não resolve. Será uma simpatia? Nosso desejo de agradar quem sofre pode ser válido, mas também pode ser muito superficial. Num nível mais elevado desse espectro, temos empatia e compaixão, quando nos colocamos no lugar do outro ou nos movemos para procurar ajudar de maneira concreta. Entendimento, aceitação, empatia e compaixão, é o que toda pessoa com Alzheimer espera de nós.
Clínica Cascata
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