Alerta na saúde mental: Usar IA como ‘terapeuta’ traz risco de dependência e erros clínicos
Usar ferramentas de Inteligência Artificial como se fossem terapeutas oferece graves riscos à saúde mental. Especialistas alertam que os bots não possuem julgamento clínico, tendem a concordar com comportamentos nocivos
Embora a facilidade de acesso 24 horas e a gratuidade atraiam quem busca apoio emocional, pesquisadores alertam para a ausência de julgamento clínico, risco de validação de comportamentos nocivos e exposição de dados sigilosos.
Por Deutsche Welle – Publicado em 21/07/2026 – 16:52 – Foto: Adobe Stock
A busca por apoio emocional na internet ganhou um novo capítulo com a popularização das ferramentas de inteligência artificial generativa. Atraídos pela disponibilidade ininterrupta (24 horas por dia), custo zero e a ausência de julgamentos aparentes, um número crescente de usuários passou a adotar chatbots de IA como substitutos da terapia tradicional. No entanto, a comunidade médica e científica faz um alerta contundente sobre os graves perigos envolvidos nessa prática.
Aliança terapêutica desalinhada e respostas inadequadas
Diferente de um psicólogo ou psiquiatra habilitado, os modelos de linguagem não possuem empatia real, intuição ou capacidade de julgamento clínico. A arquitetura desses sistemas é desenhada para engajar o usuário e manter a conversa fluindo de forma amigável, o que frequentemente faz com que a IA concorde passivamente com o interlocutor sem impor limites ou questionar padrões destrutivos.
— “Usar a IA como substituta durante uma crise pode ser prejudicial, porque ela pode reforçar comportamentos de autolesão em vez de oferecer uma intervenção clínica, criando uma aliança terapêutica perigosamente desalinhada. A IA também pode intensificar, de forma não intencional, sintomas associados a diferentes transtornos de saúde mental”, alerta Rezvaneh Rezapour, professora da Universidade Drexel.
A ausência de uma conduta ética aliada ao desconhecimento do contexto histórico da vida do paciente impede que a tecnologia faça diagnósticos ou oriente estratégias terapêuticas seguras.
Dependência emocional e privacidade vulnerável
Outro ponto crítico levantado por pesquisas acadêmicas é o desenvolvimento de padrões comportamentais de dependência. Ao oferecer validação imediata e contínua, os bots alimentam um ciclo de busca incessante por reconforto, o que, no longo prazo, pode acentuar a ansiedade e o isolamento social da pessoa em sofrimento.
Além dos impactos psíquicos, existe uma grave vulnerabilidade regulatória ligada à privacidade dos dados. As confissões e detalhes sensíveis compartilhados durante as “sessões” com a IA são armazenados nos servidores das empresas desenvolvedoras e podem ser utilizados para o treinamento de novos modelos, violando o sigilo rigoroso exigido no atendimento à saúde mental.
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