Alergias graves provocam quase 500 mortes no Brasil desde 2022
Atendimentos no SUS ultrapassam 44 milhões ao ano e especialistas alertam para os riscos da anafilaxia, reação grave que exige aplicação imediata de adrenalina. Por Deutsche Welle – Publicado em
Atendimentos no SUS ultrapassam 44 milhões ao ano e especialistas alertam para os riscos da anafilaxia, reação grave que exige aplicação imediata de adrenalina.
Por Deutsche Welle – Publicado em 15/09/2026 – 16:03
Os casos de reações alérgicas graves têm acendido um alerta na saúde pública brasileira. Segundo dados do Ministério da Saúde, o país registrou 499 mortes decorrentes de complicações alérgicas entre 2022 e a primeira metade de 2026. Somente nos primeiros seis meses deste ano, 40 óbitos foram contabilizados.
A demanda por assistência médica no Sistema Único de Saúde (SUS) acompanha o crescimento dos diagnósticos. Em 2022, a rede pública prestou 30,9 milhões de atendimentos relacionados a quadros alérgicos, número que saltou para 44,5 milhões em 2025. Até meados de 2026, o SUS já contabilizou mais de 24 milhões de consultas e procedimentos associados ao problema.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 30% da população global convive com algum tipo de alergia, com projeção de que a taxa alcance 50% até o ano de 2050. Fatores ambientais, estresse e mudanças no estilo de vida são apontados por imunologistas como gatilhos para o aumento da sensibilidade do sistema imunológico.
O que é anafilaxia e como ela age no organismo
A alergia consiste em uma resposta desproporcional do sistema de defesa do corpo a substâncias que deveriam ser inofensivas, como alimentos, medicamentos, ácaros ou venenos de insetos. A forma mais severa e com início rápido dessa resposta é denominada anafilaxia.
Durante um episódio anafilático, ocorre uma liberação massiva de mediadores inflamatórios na corrente sanguínea. Esse processo pode gerar inchaço da glote, estreitamento severo das vias aéreas, queda abrupta da pressão arterial e choque anafilático. Em situações extremas, a obstrução respiratória se consolida em questão de minutos, podendo evoluir para a morte se não houver intervenção médica imediata.
Entre os alimentos, um grupo reduzido é responsável por mais de 90% das reações: leite de vaca, ovos, amendoim, castanhas, trigo, soja, peixes, crustáceos e gergelim.
Diagnóstico, prevenção e o papel da adrenalina
Especialistas ressaltam que o histórico clínico e a exposição ao agente alérgeno são os pilares para a investigação médica. Testes cutâneos, de sangue e o teste de provocação oral — realizado sob rigorosa supervisão hospitalar — são utilizados para confirmar o diagnóstico.
Para quem possui alergias alimentares confirmadas ou suspeitas, as principais orientações incluem:
- Restrição total: Evitar rigorosamente o consumo, uma vez que a memória imunológica pode disparar reações graves independentemente da quantidade ingerida.
- Leitura de rótulos: Verificar constantemente a composição dos produtos industrializados.
- Prevenção da contaminação cruzada: Orientar estabelecimentos comerciais sobre o uso de utensílios e óleos separados durante o preparo das refeições.

Foto: Adobe Stock
O tratamento de urgência para reverter o choque anafilático baseia-se na aplicação rápida de adrenalina (epinefrina). Na rede privada, o insumo costuma ser importado sob a forma de canetas autoinjetáveis. Na rede pública, o SUS disponibiliza a medicação em ampolas injetáveis para administração por profissionais de saúde em serviços de emergência.
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