Bom dia • sábado, 26 de setembro de 2026 •
Doação de Órgãos Pediátrica: Uma Conversa Em Família Que Pode Salvar o Futuro de uma Criança | revistasaudeemforma.com.br
x
Close

CNPJ 59.681.458/0001-04

DESTAQUE

Doação de Órgãos Pediátrica: Uma Conversa Em Família Que Pode Salvar o Futuro de uma Criança

O transplante pediátrico é a única esperança para centenas de crianças, mas enfrenta o desafio da escassez de doadores e da recusa familiar. Especialistas reforçam a importância de falar abertamente

Doação de Órgãos Pediátrica: Uma Conversa Em Família Que Pode Salvar o Futuro de uma Criança
Airton Guimes da Silva
  • Publishedsetembro 26, 2026

A escassez de doadores compatíveis e a falta de diálogo prévio sobre o tema nas famílias são os principais obstáculos para salvar crianças que dependem de um transplante no Brasil.

Por Cassio Fon Ben Sum, cardiologista pediátrico — Publicado em 26/09/2026 – 09:14 – Foto: Alexander Screaghin/Getty Images

O transplante pediátrico de órgãos representa, em muitos casos, a única oportunidade de sobrevivência ou de uma vida plena para recém-nascidos, crianças e adolescentes diagnosticados com insuficiência terminal de órgãos — como coração, fígado, rins e pulmões. No entanto, a medicina pediátrica esbarra em uma barreira persistente no país: a escassez de doadores e o elevado índice de recusa familiar no momento do luto.

Especialistas em transplantes e bioética alertam que a conscientização sobre o tema precisa ser construída no cotidiano das famílias, desmistificando tabus antes que tragédias aconteçam.

O Desafio da Compatibilidade e do Luto Infantil

A doação de órgãos pediátrica possui especificidades técnicas que a tornam ainda mais delicada em relação à doação em adultos. O principal gargalo reside na compatibilidade de tamanho e peso (proporção corporação) entre o doador e o receptor. Uma criança pequena raramente pode receber o órgão de um adulto, o que limita drasticamente as opções da fila de espera.

Somado ao fator anatômico, o momento do diagnóstico de morte encefálica em uma criança impõe aos pais um sofrimento devastador. Sem que o tema tenha sido conversado ou refletido previamente, a decisão sobre a doação sob o impacto da perda repentina torna-se extremamente dolorosa, resultando em altos índices de negação do consentimento.

“Conversar abertamente sobre a doação de órgãos em família não é atrair sentimentos negativos, mas sim cultivar a generosidade e estar preparado para tomar decisões altruístas que transformam o luto em esperança para outras famílias”, destacam especialistas da área de saúde e doação de órgãos.

Como Funciona a Autorização e o e-Notariado

No Brasil, a doação de órgãos pós-morte exige obrigatoriamente a autorização formal da família (parentes de primeiro e segundo grau). No caso de menores de idade, a autorização deve ser concedida expressamente pelos pais ou responsáveis legais.

Para facilitar e registrar o desejo individual em vida, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Colégio Notarial do Brasil disponibilizam a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), emitida gratuitamente pela plataforma do e-Notariado. Embora a palavra final em relação a menores seja dos pais, manter esse canal de conscientização aberto fortalece a cultura da doação no país.

Saiba mais 📲https://revistasaudeemforma.com.br/