Estudo aponta esgotamento emocional e burnout de médicos de UTI
Estudo inédito da Amib e do CFM revela que 48,5% dos médicos de UTI no Brasil sofrem com alto esgotamento emocional e 46,4% relatam baixa satisfação no trabalho. A sobrecarga,
Inquérito da Amib e do CFM com mais de 2,3 mil profissionais revela que 48,5% enfrentam alto nível de exaustão e 46,4% relatam baixa satisfação com a atividade nas unidades de terapia intensiva
Por Paula Laboissière — Publicado em 19/09/2026 – 08:39 – Foto: Rovena Rosa
Quase metade (48,5%) dos médicos que trabalham em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Brasil apresenta um nível elevado de esgotamento mental e emocional. Além disso, 46,4% desses profissionais relatam baixo grau de satisfação com suas atividades diárias. Os dados alarmantes integram o Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras, realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).
A pesquisa ouviu 2.338 profissionais em 26 estados e no Distrito Federal. Segundo a Amib, os resultados indicam uma forte vulnerabilidade dos intensivistas à síndrome de burnout, condição caracterizada por exaustão emocional, distanciamento afetivo e sensação de baixa realização pessoal. No total, 79,7% dos médicos entrevistados necessitam de atenção com a saúde emocional — soma que abrange os casos de esgotamento moderado (31,2%) e elevado (48,5%).
A Amib atribui o cenário à alta carga horária, à exposição contínua a situações de dor e morte e à precariedade estrutural das unidades, além do desafio de tomar decisões ágeis em cenários críticos. O estudo também mapeou que 45,6% dos entrevistados relataram algum grau de despersonalização — atitude caracterizada por postura fria, apática ou cínica em relação a pacientes e equipes, comprometendo a humanização da assistência.
Durante o anúncio dos dados, o diretor de Comunicação do CFM, Estevam Rivello, destacou as disparidades entre as redes pública e privada. Segundo ele, os profissionais do setor público enfrentam maior estresse em razão de baixas remunerações, menor oferta de recursos terapêuticos e vínculos empregatícios mais instáveis em comparação com a medicina suplementar.
O levantamento também apontou que a qualificação profissional atua como fator de proteção: quanto maior o grau de especialização do médico intensivista, menores foram os índices de esgotamento emocional e despersonalização, e maior a satisfação no trabalho. Entre os intensivistas especialistas, 44,5% indicaram alto esgotamento, índice que subiu para 52,3% entre os médicos generalistas que atuam no ambiente de UTI.
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