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Psicologia

Setembro Amarelo: saúde emocional começa na infância e é construída nas pequenas experiências do dia a dia

No Setembro Amarelo, especialistas destacam que a saúde emocional é construída desde a primeira infância. Lidar com frustrações e ter o suporte de adultos no acolhimento de crises ajuda a

Setembro Amarelo: saúde emocional começa na infância e é construída nas pequenas experiências do dia a dia
Airton Guimes da Silva
  • Publishedsetembro 17, 2026

Especialista explica como as experiências dos primeiros anos ajudam a criança a desenvolver recursos emocionais e mostra como pais e cuidadores podem acolher sentimentos sem deixar de estabelecer limites

Por Redação – Publicado em 17/09/2026 – 10:43

Uma criança chora porque precisa ir embora do parquinho. Outra se irrita porque perdeu uma brincadeira. Há ainda aquela que não quer se separar dos pais na porta da escola ou que sente medo de dormir sozinha. Situações como essas fazem parte da rotina de qualquer família, mas também são momentos em que a criança começa a aprender algo que levará para a vida: o que fazer com aquilo que sente.

Embora o Setembro Amarelo esteja diretamente relacionado à conscientização sobre saúde mental e à prevenção do suicídio, o cuidado com a saúde emocional não precisa começar apenas quando aparecem sinais de sofrimento. Ele é construído ao longo do desenvolvimento e tem uma base importante nos primeiros anos de vida, quando a criança desenvolve vínculos, amplia sua capacidade de comunicação e começa a compreender as próprias emoções.

Na primeira infância, dos 0 aos 6 anos, a criança ainda depende bastante dos adultos para compreender e regular as próprias emoções. Uma frustração que parece pequena para um adulto pode provocar um choro intenso porque, nessa fase, ela ainda está desenvolvendo recursos para lidar com a espera, a perda, os limites e as mudanças.

“Saúde emocional não significa uma infância sem tristeza, raiva, medo ou frustração. A criança precisa passar por essas experiências e contar com adultos que a ajudem a compreendê-las. É assim que, aos poucos, desenvolve recursos para enfrentar situações difíceis”, explica Marília Paiva, supervisora pedagógica do Fadelito.

A criança não precisa aprender a se acalmar sozinha

Autorregulação é uma habilidade que se desenvolve aos poucos. Por isso, durante uma crise de choro ou de raiva, não adianta esperar que uma criança pequena consiga se acalmar sozinha ou compreender uma explicação longa. O mais importante é garantir sua segurança, reduzir os estímulos e permanecer por perto. A conversa pode ficar para depois, quando ela estiver tranquila.

“É nessas situações do cotidiano que a criança começa a perceber que pode sentir raiva, tristeza ou medo e que existe um adulto disponível para ajudá-la a atravessar esses momentos”, explica Marília.

A rotina oferece oportunidades para esse aprendizado

Não é preciso criar momentos específicos para falar sobre emoções. A hora de dormir, o caminho para a escola, uma brincadeira ou um conflito entre irmãos já podem abrir espaço para a conversa. “Perguntar o que deixou a criança feliz ou chateada, acompanhar uma história e conversar sobre os sentimentos dos personagens ou simplesmente brincar sem distrações são formas de fortalecer o vínculo e mostrar que existe disponibilidade para ouvi-la”, indica a especialista.

Frustração também faz parte

Proteger o pequeno de toda situação desagradável pode privá-la de experiências importantes para o desenvolvimento. Esperar a vez, perder uma brincadeira, ouvir um “não”, dividir um brinquedo ou lidar com uma mudança de planos são situações que ensinam, com a mediação do adulto, a enfrentar limites e contrariedades.

O mesmo vale para momentos de transição, como a entrada na escola, a chegada de um irmão ou uma mudança de casa. Explicar o que vai acontecer, manter alguns elementos conhecidos da rotina e permitir que a criança faça perguntas pode ajudá-la a se sentir mais segura.

“Ela precisa saber que pode contar com o adulto também quando as coisas não saem como gostaria. É assim que vai construindo confiança para enfrentar situações novas”, diz a especialista.

Quando é hora de procurar ajuda?

Choro, medo, irritabilidade e dificuldade de separação fazem parte do desenvolvimento infantil. Então, quando saber que há um problema sério? “O sinal de alerta está principalmente quando uma mudança de comportamento é intensa, persistente ou começa a interferir na rotina”, explica a educadora.

Alguns exemplos são: alterações importantes no sono ou na alimentação, isolamento, perda de interesse pelas brincadeiras, medos que limitam atividades, regressões significativas ou mudanças de comportamento após acontecimentos marcantes merecem atenção. Nesses casos, a especialista recomenda uma conversa com o pediatra ou um profissional de saúde que acompanhe a criança.

“Buscar orientação não significa colocar um rótulo ou diagnóstico. É uma forma de entender o que está acontecendo e avaliar se ela precisa de apoio”, afirma Marília. “O cuidado precoce pode fazer parte da construção de uma relação em que a criança aprende, desde cedo, que não precisa enfrentar tudo sozinha.”

Família e escola também precisam conversar

A escola faz parte dessa rede de cuidado. Por isso, manter uma comunicação próxima com os educadores pode ajudar os adultos a perceber mudanças de comportamento e compreender melhor o que a criança está vivendo.

“Quando família e escola compartilham informações, conseguem olhar para a criança de maneira mais completa e perceber alterações que poderiam passar despercebidas”, afirma Marília. 

É justamente nas situações que parecem pequenas aos olhos dos adultos que a criança começa a construir sua relação com o mundo: quando precisa esperar, quando algo não acontece como gostaria, quando sente medo, perde, erra ou precisa tentar novamente. “A forma como encontra apoio nesses momentos pode ajudá-la a desenvolver confiança para seguir em frente, mesmo diante das dificuldades”, explica a especialista.

Por isso, cuidar da saúde emocional na infância não depende de grandes gestos ou de encontrar respostas para todos os problemas. “Está na qualidade das experiências que oferecemos diariamente e, principalmente, na certeza que a criança vai construindo de que suas dificuldades podem ser compartilhadas e enfrentadas. É dessa segurança que, pouco a pouco, nasce a capacidade de seguir crescendo”, afirma a supervisora pedagógica do Fadelito.

Sobre o Fadelito: Fundado há 27 anos, o Fadelito é uma das principais redes especializadas exclusivamente em Educação Infantil do país. Com 36 unidades em São Paulo, a rede já contribuiu para a formação de mais de 35 mil crianças e conta atualmente com cerca de 1.600 colaboradores.

Atendendo crianças de 4 meses a 5 anos e 11 meses, o Fadelito possui metodologia socioafetiva própria, desenvolvida por um comitê pedagógico multidisciplinar, que une acolhimento, cuidado e aprendizagem. Entre seus diferenciais está o Baby Learning, programa exclusivo voltado ao desenvolvimento motor e cognitivo dos bebês. 

O Fadelito acredita que cuidar da primeira infância é contribuir para a formação de indivíduos mais preparados para a vida e para a construção de uma sociedade melhor. Afinal, é nos primeiros anos que se lançam as bases do desenvolvimento cognitivo, emocional e social — e do futuro que queremos construir.

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