Primeiro remédio que promove “cura funcional” da Hepatite B é aprovado no mundo
O Japão aprovou pela primeira vez no mundo o Bepirovirsen, medicamento injetável que promove a cura funcional da hepatite B crônica. O remédio reduz a carga viral e elimina o
O Bepirovirsen (comercializado como Hibsbago) foi liberado no Japão para pacientes adultos com hepatite B crônica e atua silenciando marcadores do vírus no sangue.
Por Redação (Veja Saúde) — Publicado em 26/08/2026 – 17:04 – Foto: Rasi Bhadramani/Getty Images
O Japão aprovou o Bepirovirsen (de nome comercial Hibsbago), tornando-se o primeiro país do mundo a dar aval regulatório a um medicamento capaz de promover a cura funcional da hepatite B crônica. A decisão representa um marco na gastroenterologia e na infectologia global, abrindo caminho para avaliações do fármaco em outras agências de vigilância sanitária, como a Anvisa no Brasil.
O tratamento é indicado em formato injetável para adultos diagnosticados com infecção crônica pelo vírus que já tenham passado por pelo menos seis meses do tratamento padrão com antivirais tradicionais.
O que é a “cura funcional”?
Diferente do conceito tradicional de cura completa — onde o vírus é totalmente erradicado de todas as células do corpo —, a cura funcional significa a eliminação sustentada do antígeno de superfície HBsAg e da carga viral no sangue, mesmo após a interrupção da medicação.
Com o HBsAg indetectável, o paciente atinge a supressão do patógeno a ponto de o próprio sistema imunológico manter a infecção sob controle de forma contínua. Isso reduz drasticamente os riscos de cirrose e de hepatocarcinoma (câncer de fígado).
Mecanismo de ação triplo
O Bepirovirsen pertence à classe dos oligonucleotídeos antisense e atua com um mecanismo de tripla ação no organismo:
- Inibição de replicação: Bloqueia a multiplicação das partículas virais nas células hepáticas.
- Silenciamento de proteínas: Interfere na produção das proteínas de superfície (HBsAg) que o vírus utiliza para se defender e escapar do sistema imune.
- Estímulo imunológico: Ativa as defesas naturais do corpo para que o próprio organismo passe a combater o vírus remanescente.
Próximos passos e chegada ao Brasil
Os estudos clínicos demonstraram que cerca de 20% dos pacientes atingiram a cura funcional com o uso contínuo por seis meses. Com a validação no mercado japonês, a expectativa é de que o laboratório desenvolvedor avance com os pedidos de registro e submissão em órgãos como a FDA (Estados Unidos), a EMA (Europa) e a Anvisa no Brasil.
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