Pela 1ª vez na história, maioria das pessoas com HIV terá mais de 50 anos até 2040
Projeção publicada na revista científica The Lancet HIV indica que mais de 20 milhões de diagnósticos terão mais de 50 anos até 2040, fruto da eficácia das terapias antirretrovirais. Por
Projeção publicada na revista científica The Lancet HIV indica que mais de 20 milhões de diagnósticos terão mais de 50 anos até 2040, fruto da eficácia das terapias antirretrovirais.
Por Raquel Pereira — Rio de Janeiro — Publicado em 26/08/2026 10:30
Uma nova projeção publicada pela conceituada revista científica The Lancet HIV revela um marco histórico na medicina global: até 2040, ao menos 20,2 milhões de pessoas com HIV em todo o mundo terão mais de 50 anos. O número representará mais da metade de toda a população diagnosticada com o vírus no planeta.
A transformação no perfil demográfico da infecção reflete os avanços no tratamento desde 1996, quando a introdução da Terapia Antirretroviral Altamente Ativa (HAART) — popularmente conhecida como “coquetel” — permitiu a supressão do vírus e a recuperação do sistema imunológico.
Se no início da epidemia a infecção era vista como uma sentença fatal, a evolução dos fármacos (que em muitos casos hoje se resumem a um único comprimido diário) garantiu um aumento expressivo na expectativa de vida das pessoas diagnosticadas.
30 anos de avanços e longevidade
A realidade de envelhecer com o vírus da imunodeficiência humana já faz parte da rotina de milhões de pacientes ao redor do mundo. Um dos exemplos citados pelo relatório é o do ativista Américo Nunes Neto, de 64 anos, que convive com o HIV há 38 anos. Quando recebeu o diagnóstico positivo em 1998, as perspectivas de sobrevivência a longo prazo eram incertas e limitadas.
Três décadas após o surgimento dos esquemas combinados de medicação, a aderência contínua ao tratamento e a eficácia da medicação permitiram que diagnósticos feitos na juventude se convertessem em longevidade:
- Evolução medicamentosa: A transição dos coquetéis complexos com vários comprimidos para esquemas simplificados em dose única diária reduziu efeitos colaterais e facilitou a adesão.
- Crescimento populacional contínuo: A manutenção da carga viral indetectável impede a progressão da doença e elimina a transmissão interpessoal, estendendo a vida útil da população soropositiva.
- Novos desafios de saúde pública: A transição demográfica exige que os sistemas de saúde passem a focar na gestão de comorbidades associadas ao envelhecimento natural, como doenças cardiovasculares, reumatológicas e metabólicas na população soropositiva.
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