Sem aprovação em nenhum país, retatrutida já é vendida ilegalmente no Brasil e apreensões disparam
Apesar de não ter aprovação sanitária em nenhum país do mundo, a retatrutida já é comercializada ilegalmente no Brasil, somando mais de R$ 11 milhões em apreensões no 1º trimestre
Anvisa e médicos alertam que versões clandestinas comercializadas no mercado paralelo oferecem graves riscos à saúde, como contaminação bacteriana e ausência do princípio ativo.
Por Poliana Casemiro e Talyta Vespa, g1 — Publicado em 25/07/2026 – 10:38
Apontada pela comunidade científica como uma das maiores promessas no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, a retatrutida virou alvo de um crescente mercado ilegal no Brasil antes mesmo de ser aprovada por qualquer agência reguladora do mundo. As apreensões da substância na fronteira brasileira com o Paraguai ultrapassaram R$ 11 milhões no primeiro trimestre de 2026, superando o montante acumulado durante todo o ano de 2025.

Nesta sexta-feira (24), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a farmacêutica Eli Lilly, responsável pelo desenvolvimento da molécula, emitiram alertas reforçando que o medicamento ainda não possui registro sanitário ou comercialização autorizada.

A promessa do triplo agonista e o risco do mercado paralelo
A retatrutida pertence à nova geração de injeções semanais para perda de peso, combinando a atuação sobre três receptores hormonais: GLP-1, GIP e glucagon. Nos testes clínicos de Fase 3 (estudo TRIUMPH-1) divulgados na revista The Lancet, pacientes submetidos à dose máxima do fármaco chegaram a perder em média 28,3% do peso corporal (cerca de 31,9 kg) ao longo de 80 semanas.

Contudo, especialistas alertam que os produtos comercializados na internet e por atravessadores não possuem garantia de origem nem controle de qualidade:
- Desconhecimento do Conteúdo: Não há como comprovar se a caneta vendida contém a molécula real, a dosagem correta ou subprodutos tóxicos.
- Contaminação e Infecções: A Eli Lilly revelou ter identificado em amostras falsificadas apreendidas pelo mundo a presença de endotoxinas e contaminação por bactérias.
- Falta de Cadeia de Frio: Sem refrigeração adequada durante o transporte clandestino, o composto pode sofrer alteração química e gerar reações imunológicas e alérgicas graves, como a síndrome de Stevens-Johnson.
Orientação médica e rito regulatório
Médicos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) reforçam que a retatrutida só pode ser consumida legalmente por voluntários cadastrados em ensaios clínicos oficiais. Para o público geral, o tratamento para perda de peso deve ser feito com acompanhamento médico e uso de opções já registradas na Anvisa, como a semaglutida e a tirzepatida.
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