Entre a meta e a medalha: psicóloga “olímpica” fala sobre sucesso e saúde mental
Em novo livro, uma psicóloga do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) analisa as semelhanças entre a cobrança sofrida por atletas de elite e a pressão do mundo corporativo por metas. A
Profissional do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) lança livro conectando as cobranças do esporte de elite à pressão do ambiente corporativo. Em entrevista, ela revela como o autoconhecimento e a gestão do estresse evitam que a busca por metas destrua o bem-estar psicológico.
Por Diogo Sponchiato/Veja Saúde – Publicado em 27 de maio de 2026 às 16:49
A linha tênue que separa o alto rendimento do esgotamento psicológico deixou de ser um assunto restrito aos ginásios e pistas de atletismo. Em seu novo livro, uma psicóloga com bagagem no Comitê Olímpico Brasileiro (COB) traça uma analogia direta entre os sacrifícios de um atleta de elite e as rotinas exaustivas enfrentadas por executivos e colaboradores no ambiente corporativo, defendendo que o verdadeiro sucesso não pode ser sustentado à custa do adoecimento mental.
A obra aborda ferramentas práticas desenvolvidas no esporte de ponta para lidar com a ansiedade pré-competitiva, a frustração da derrota e a cobrança contínua por resultados. De acordo com a especialista, transpor essa metodologia para o mundo dos negócios ajuda a criar lideranças mais humanas e equipes mais resilientes, preparadas para bater metas sem cruzar a fronteira do burnout.
Do pódio ao escritório: as pressões que se equivalem
Em entrevista, a psicóloga destaca que as cobranças do mercado corporativo moderno assemelham-se, em muitos aspectos, à rotina de preparação para os Jogos Olímpicos. A busca incessante por eficiência, prazos apertados e a exposição constante à avaliação externa geram gatilhos psicológicos idênticos em atletas e profissionais de escritório.
“O erro comum, tanto no esporte quanto na empresa, é acreditar que o indivíduo é uma máquina de entregar resultados. Quando a medalha ou a meta comercial se tornam mais importantes do que a saúde de quem as busca, o colapso é apenas uma questão de tempo”, alerta a autora.
Pilares da Gestão Emocional de Alta Performance
A transição das técnicas esportivas para a rotina corporativa baseia-se em quatro pilares fundamentais detalhados no livro:
- Ressignificação da falha: Entender o erro ou o projeto fracassado como um dado técnico para correção de rota, e não como uma invalidação do valor pessoal do profissional;
- Estabelecimento de limites: Identificar o momento exato em que o estresse produtivo (eustresse) se transforma em estresse crônico prejudicial (distresse);
- Treinamento de foco e atenção: Práticas de visualização e mindfulness utilizadas por atletas para manter a calma antes de apresentações decisivas ou reuniões de conselho;
- Desconexão planejada: A importância do descanso ativo. Assim como o músculo precisa de repouso para hipertrofiar, a mente exige pausas estratégicas para manter a criatividade e a tomada de decisão afiada.
O papel das lideranças institucionais
O livro também joga luz sobre a responsabilidade de técnicos e diretores. A psicóloga argumenta que a cultura organizacional é a principal responsável por ditar se o ambiente será de desenvolvimento ou de desgaste. Líderes que sabem ouvir e acolher as vulnerabilidades de suas equipes conseguem extrair desempenhos superiores e mais duradouros.
A publicação chega ao mercado em um momento de debate aquecido sobre as estatísticas de depressão e ansiedade no trabalho, consolidando a psicologia esportiva como uma aliada estratégica para empresas que buscam reter talentos e promover a sustentabilidade humana em suas operações.
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