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Cúrcuma em alta: O que a ciência diz sobre os poderes e as polêmicas do tempero dourado

A cúrcuma, apelidada de "ouro indiano", virou febre mundial por suas propriedades medicinais. No entanto, cientistas alertam para as polêmicas que cercam o ingrediente, como a sua baixa absorção pelo

Cúrcuma em alta: O que a ciência diz sobre os poderes e as polêmicas do tempero dourado
Airton Guimes da Silva
  • Publishedmaio 26, 2026

Conhecida historicamente como “ouro indiano” ou hemaragini no sânscrito, a raiz dourada conquistou as cozinhas e as farmácias globais. Entenda a ciência por trás de seus compostos ativos e os limites de seu uso terapêutico.

Por Regina Célia Pereira/Veja Saúde – Publicado em 26/05/2026 – 09:28 – Foto : Getty Images

Cúrcuma. Aquela que dá a cor dourada. Ou hemaragini, para usar o termo original em sânscrito que costuma acompanhar a especiaria apelidada de “ouro indiano”. O codinome ancestral tem tudo a ver com a substância química que faz desse ingrediente um dos itens mais cobiçados — e debatidos — da nutrição e da medicina moderna nas últimas décadas: a curcumina.

(Getty Images/Veja Saúde)

Esse polifenol é o grande responsável não apenas pelo tom amarelo-vivo que colore o tradicional curry, mas também pela enxurrada de estudos que tentam desvendar suas propriedades biológicas. Na cultura popular e no mercado de suplementos, a cúrcuma é frequentemente alçada ao posto de “superalimento”, com promessas que vão desde uma poderosa ação anti-inflamatória e antioxidante até o auxílio na prevenção de dores articulares e melhora da saúde digestiva.

No entanto, o avanço da especiaria para além das panelas e em direção aos laboratórios acendeu uma série de polêmicas e debates na comunidade científica. O principal entrave apontado por médicos e farmacêuticos é a chamada baixa biodisponibilidade da curcumina. Isso significa que, quando consumida de forma isolada ou em sua forma natural em pó, o organismo humano tem enorme dificuldade para absorver a substância através do trato gastrointestinal, metabolizando-a e eliminando-a rapidamente antes que ela possa exercer seus efeitos terapêuticos no sangue.

(Getty Images/Veja Saúde)

Para contornar esse desafio técnico, a indústria e a gastronomia funcional passaram a adotar estratégias de combinação química. A mais famosa delas é a associação da cúrcuma com a piperina (o princípio ativo da pimenta-preta), combinação que, segundo pesquisas, pode aumentar a absorção da curcumina pelo corpo em até 2.000%. Outra vertente aposta no uso de formulações em nanopartículas ou em cápsulas oleosas, já que o composto se dissolve melhor em gorduras.

Outro ponto de fricção ética e médica reside nos excessos. O modismo dos “shots matinais” concentrados e a automedicação com superdoses em cápsulas têm gerado alertas sobre potenciais efeitos colaterais, incluindo desconfortos gástricos, interações medicamentosas com anticoagulantes e riscos de sobrecarga hepática em indivíduos predispostos.

Equilibrar o uso da cúrcuma como um excelente tempero culinário e entender seus limites como coadjuvante na saúde é o caminho recomendado por especialistas para desfrutar do verdadeiro valor desse ouro vindo do Oriente.

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