6 hábitos silenciosos que agravam a gastrite, segundo um médico

Do estresse crônico à automedicação, o clínico geral Alfredo Salim revela as atitudes rotineiras que irritam profundamente a mucosa do estômago, indo muito além dos erros na alimentação

Por Dr. Alfredo Salim/Veja Saúde – Publicado em 25 de maio de 2026 às 11:18

Quando pensamos em crise de queimação, a culpa quase sempre recai sobre a pimenta, o café ou o excesso de gordura. No entanto, o tratamento eficaz da inflamação exige olhar para fatores comportamentais invisíveis. Existem hábitos silenciosos que agravam a gastrite de forma contínua, agindo como verdadeiros vilões na rotina de quem sofre com o estômago sensível.

O primeiro grande fator extracurricular é o estresse crônico e a ansiedade. A conexão direta entre o cérebro e o sistema digestivo faz com que episódios constantes de nervosismo alterem o sistema nervoso autônomo. Isso resulta em uma superprodução de suco gástrico e na diminuição da barreira de muco que protege as paredes estomacais, deixando o órgão vulnerável à sua própria acidez.

Outro erro gravíssimo e generalizado é a automedicação, especialmente o consumo indiscriminado de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e analgésicos para dores cotidianas. Essas substâncias inibem enzimas responsáveis por proteger o tecido gástrico. Sem essa blindagem química natural, mesmo doses pequenas desses remédios podem provocar irritações severas, sangramentos e até úlceras.

A organização das refeições também esconde armadilhas. Ficar longos períodos em jejum faz com que o ácido clorídrico, produzido continuamente pelo estômago, fique concentrado e comece a agredir diretamente o revestimento vazio. Da mesma forma, comer rápido demais e não mastigar os alimentos envia pedaços grandes ao estômago, exigindo um esforço mecânico dobrado e maior tempo de exposição ao ácido para realizar a digestão.

Hábitos noturnos completam a lista de riscos. Jantar refeições pesadas e deitar-se logo em seguida não apenas lentifica a digestão, mas favorece o refluxo e a inflamação da transição entre o esôfago e o estômago. Por fim, o consumo negligenciado de chicletes ao longo do dia engana o organismo: o ato de mastigar sinaliza ao cérebro que a comida está chegando, iniciando uma produção precoce e desnecessária de ácido.

Mudar o quadro de gastrite exige vigilância e reeducação diária. Identificar esses gatilhos comportamentais, buscar técnicas de manejo do estresse, fracionar melhor as porções e, acima de tudo, consultar um médico antes de tomar qualquer medicamento são as únicas formas eficientes de devolver a paz ao sistema digestivo.

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